A agência espacial chinesa, CNSA, apresentou as primeiras imagens do jipe robótico da Chang’e-4 já trabalhando no solo lunar. Seguindo o padrão da missão de 2013, Chang’e-3, que teve o jipe Yutu, o novo veículo lunar foi batizado de Yutu-2. Ele desceu à superfície, de sua plataforma elevada no módulo de pouso, às 12h22 (de Brasília), cerca de 12 horas após o pouso.

No começo desta quinta-feira (3), a Chang’e-4 se tornou a primeira espaçonave a realizar um pouso bem-sucedido no lado afastado da Lua, a face que nunca é visível da Terra. A alunissagem ocorreu às 0h26 (de Brasília), mas gerou um suspense de mais de uma hora e meia até a confirmação oficial de que tudo havia corrido bem.

O módulo de pouso e seu jipe desceram na cratera Von Kármán, na bacia Polo Sul-Aitken, uma região jamais visitada antes. O dia lunar está apenas começando por lá, e há pelo menos mais alguns dias de trabalho antes que o jipe e o módulo de pouso precisem hibernar para a noite lunar. Como a Lua tem uma rotação muito mais lenta que a da Terra (sincronizada com a translação ao redor do planeta), o Sol só nasce e se põe lá a cada 29,5 dias terrestres.

Não há dúvida de que se trata de um projeto desafiador. O lado afastado da Lua está permanentemente “de costas” para a Terra, de forma que não há linha direta de comunicação. Para empreender a tentativa, os chineses tiveram de lançar, em maio, um satélite de comunicações para orbitar ao redor de um “ponto de equilíbrio” entre as gravidades terrestre e lunar que fica além da Lua, de onde ele poderia contatar tanto a Chang’e-4 no solo lunar quanto o controle da missão na China.

Concepção artística da missão Chang’e-4 e seu jipe robótico no lado afastado da Lua. (Crédito: CNSA)

Além do jipe robótico que explorará os arredores, o módulo de pouso tem um radiotelescópio que fará observações no único lugar do Sistema Solar livre da interferência de rádio das transmissões artificiais na Terra, e um experimento biológico, que consiste em ver se sementes de plantas, batatas e ovos de bichos-de-seda podem prosperar, ainda que temporariamente, na Lua — naturalmente protegidos por um invólucro contendo ar e controle térmico adequados.

A minibiosfera voou num pequeno cilindro de 18 cm de altura por 16 cm de largura. A ideia é ver se as sementes da espécie Arabidopsis thaliana podem florescer, e as batatas, germinar. As primeiras são um dos organismos modelo em estudos de biologia. As segundas, uma potencial fonte de nutrientes para astronautas em missões de colonização espacial.

Como toda boa planta, essas devem converter a luz solar em açúcares, aquela fotossíntese básica, num processo que tem como efeito colateral a produção de oxigênio. E aí é que entram os bichos-da-seda. Os chineses querem ver se eles conseguem sobreviver nesse ambiente, com o oxigênio gerado pelas plantas.

É a primeira vez que algo do tipo é tentado numa missão lunar, e o projeto serve como estudo preliminar para viabilizar a futura colonização de nosso satélite natural.

Uma das seis rodas do Yutu-2 antes da descida ao solo da cratera Von Kármán. (Crédito: CNSA)

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