Cinco tartarugas-verde foram encontradas mortas pela ONG VIVA Baleias, Golfinhos e cia durante um monitoramento de golfinhos na área da Baía de Tabatinga, em Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo, nesta segunda-feira (28).


Encontradas enroscadas em uma rede de pesca, as tartarugas-verdes costumam ser vistas nessa região com frequência por causa de um costão rochoso, onde buscam alimentos. 


“Os animais estavam saudáveis e foram vítimas de uma rede-fantasma, deixada no mar por pescadores”, afirma Mia Morete, bióloga da ONG VIVA Baleias, Golfinhos e cia.


As redes-fantasma são aquelas que foram abandonadas por pescadores ou arrastadas da praia pelo mar. Esses fios de nylon ficam boiando na água e capturam animais marinhos que passam por eles.


“Os animais tentam escapar da rede e ficam cada vez mais enroscados. No caso das tartarugas, elas morrem afogadas sem conseguir ir até a superfície para respirar”, explica a bióloga.


Segundo levantamento de ONGs ligadas ao meio ambiente, mais de 1 milhão de animais marinhos são mortos por ano por causa do uso de redes por pescadores e barcos pesqueiros.


As biólogas Marina Marques e Rafaela Souza, também da ONG Viva, que estavam na Baía de Tabatinga, viram o momento em que um pescador cortou a própria rede de pesca quando percebeu que estava sendo observado. O caso ocorreu alguns dias antes de os animais serem encontrados mortos. 


“É difícil a fiscalização em área de proteção ambiental. As ONGs tentam fazer um trabalho de conscientização com pescadores, mas ainda assim muitos animais morrem”, diz a bióloga.


No mundo todo, mais de 310 mil baleias e golfinhos morrem por ano, vítimas das redes de pesca, segundo dados da International Whaling Commission.


As redes também são um risco para as pessoas. Mia aconselha os banhistas que se afastem ao avistar uma rede para não se enroscar e correr o risco de um afogamento.


As redes só podem ser utilizadas a partir de uma milha náutica do litoral. É um crime ambiental fazer o uso desse tipo de equipamento de pesca fora dessa área. A multa para quem desrespeitar essa condição é de R$ 700,00, com acréscimo de R$ 20,00, por quilo ou fração do produto da pescaria, ou por espécime quando se tratar de produto de pesca para uso ornamental


A Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo afirma que faz ações de conscientização com comunidades de pescadores e também faz a fiscalização marítima de pesca irregular. O Plano de Fiscalização de Pesca Costeira denominado SIMMar – Sistema Integrado de Monitoramento Marítimo, envolve a Polícia Militar Ambiental, Fundação Florestal, órgão gestor da APA Marinha Litoral Norte, e a Secretaria do Meio Ambiente. 


O R7 tentou entrar em contato com a Polícia Militar Ambiental do Estado de São Paulo por telefone, mas não obteve resposta.


Assista ao vídeo do resgate das tartarugas mortas:




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