Os entusiastas do voo espacial andam apreensivos com a morosidade da Jaxa, a agência espacial japonesa, em divulgar mais imagens feitas pelos minirrovers Minerva II1A e B, que foram lançados pela sonda Hayabusa2 à superfície do asteroide Ryugu.

“Não vos afobeis!”, como costuma dizer a minha avó. Nesta quinta-feira (27), tiramos a barriga da miséria, conforme os japoneses divulgaram mais algumas imagens e até mesmo um pequeno vídeo feito na superfície pelo minirrover B. Confira aí.

Sequência confirma o salto do minirrover II1B. (Crédito: Jaxa)
Minirrover II1B registra seu local de pouso no Ryugu. (Crédito: Jaxa)
Imagem do minirrover II1A revela detalhes da superfície do Ryugu. (Crédito: Jaxa)
O minirrover II1A registra sua própria sombra (note uma das antenas) na superfície do Ryugu. (Crédito: Jaxa)

São imagens muito interessantes, e o vídeo, feito pelo minirrover B já em seu local final de repouso, é incrível. São alguns frames, colhidos ao longo de 1h 14min, que mostram o movimento do Sol conforme o asteroide gira ao redor de seu próprio eixo. Veja.

Sequência de imagens captadas pelo minirrover II1B entre 22h34 e 23h48 (de Brasília) do dia 22 de setembro de 2018. (Crédito: Jaxa)

De novo, essas são apenas algumas amostras adicionais, de várias outras imagens que os minirrovers devem ter captado. Elas decerto serão não só interessantes, como úteis, na hora de comparar o que se vê do chão com o que se vê da órbita do Ryugu, pela sonda Hayabusa2. Por falar nela, durante a descida para o lançamento dos pequenos módulos de 18 cm de diâmetro, ela também fez imagens de alta resolução da superfície, como esta.

Imagem da superfície do Ryugu obtida pela Hayabusa2 a 64 metros do chão. (Crédito: Jaxa)

Sobre os minirrovers Minerva II1A e B, não custa lembrar que o principal objetivo já foi atingido só de eles terem *alguma* imagem. Eles estão basicamente testando uma tecnologia nova, agora demonstrada útil na exploração da superfície de corpos com baixíssima gravidade, como é o caso dos asteroides. Seria muito complicado operar um jipe com rodas nessa superfície, mas uma sonda que vai quicando, usando cada salto como forma de locomoção, é uma ideia simples e — sabemos agora — funciona!

Concepção artística dos minirrovers Minerva II1A e B na superfície do asteroide Ryugu. (Crédito: Jaxa)

Isso permitirá que futuras missões tenham dispositivos mais sofisticados baseados na mesma estratégia. Duas lembranças são importantes aí:

  • Quem persiste sempre alcança; a Hayabusa original também levava um Minerva, mas ele não funcionou… simplesmente “errou” a superfície ao se desprender da nave-mãe. (Mostra como não se pode contar muito com a gravidade para trazer coisas ao chão nesse tipo de corpo celeste.)
  • A festa ainda não acabou, porque a Hayabusa2 ainda tem outros dois “minimódulos de pouso” para testar, o japonês Minerva II2 e o europeu Mascot. Além disso, a própria nave-mãe ainda deve fazer um pouso no asteroide Ryugu para colher amostras e trazê-las de volta à Terra.

SOBRE A MISSÃO
A Hayabusa2 é a segunda missão de retorno de amostras de asteroides do Japão. Sua predecessora, a Hayabusa, voou entre 2003 e 2010 e trouxe de volta à Terra farelinhos do asteroide Itokawa. A Hayabusa2 foi lançada em 2014, na direção do asteroide Ryugu, com 900 metros de diâmetro, o primeiro asteroide de tipo C (carbonáceo) a ser visitado por uma sonda.

Asteroides carbonáceos costumam ser mais escuros e acredita-se que sua composição seja primitiva, mais parecida com o conteúdo original da nebulosa que teria formado o Sol. Eles nos remetem à época em que os planetas estavam se formando.

Estudar o Ryugu é, portanto, um trabalho de arqueologia cósmica — a busca por vestígios do ambiente que levou ao surgimento do Sistema Solar, há 4,6 bilhões de anos.

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