Entusiastas do site XDA Developers, especializado na criação e instalação de sistemas modificados em celulares e outros dispositivos, afirmam que o Google está bloqueando a instalação da suíte Google Apps em celulares “não certificados”, o que, teoricamente, inclui diversos aparelhos de marcas que não fazem parte da lista de parceiros oficiais do Google e os celulares ditos “genéricos”.

Ao tentar utilizar um dos aplicativos do Google em um aparelho não autorizado, o consumidor pode receber a orientação de entrar em contato com o fabricante e exigir um aparelho certificado.

O Google Apps é a suíte básica de aplicativos do Google que permite o uso da loja Google Play, sincronização de dados e backup. Embora o sistema operacional Android seja livre e qualquer um possa usá-lo sem custo, a instalação do Google Apps depende de um processo de registro e certificação (chamado de “CTS” – suíte de teste de compatibilidade) do aparelho junto ao Google.

Apesar dessa exigência, o Google sempre permitiu que entusiastas instalassem o Google Apps nas chamadas ROMs personalizadas (“custom ROMs”), que são versões modificadas do sistema operacional. Ao instalar uma ROM personalizada, um usuário mais técnico pode dar uma nova vida a um aparelho que não recebe mais atualizações do fabricante ou mesmo reaproveitar dispositivos Android mais limitados, como os tablets da Amazon, que intencionalmente não usam o Google Apps.

Segundo uma publicação do “XDA Developers”, fabricantes que não submetem seus aparelhos ao CTS do Google estavam usando essa permissão do Google, que devia ser exclusiva dos consumidores, para vender dispositivos com o Google Apps pré-instalado. Nos casos em que o Google Apps não vinha instalado, a medida do Google era burlada com uma instalação posterior feita pelo próprio usuário, sob orientação do fabricante.

Agora, porém, o Google Apps aparentemente faz uma verificação no aparelho durante a instalação e, caso o sistema não seja reconhecido, um alerta será mostrado impedindo o prosseguimento. A única maneira de continuar — tanto no caso de ROMs personalizadas como nos aparelhos não certificados — é obtendo um identificador específico exigido pelo Google e cadastrando o aparelho como “dispositivo autorizado”. Essa autorização vale somente para a conta Google associada ao aparelho, o que deve inviabilizar o uso desse canal pelos fabricantes.

O blog Segurança Digital procurou o Google para comentar o assunto, mas não recebeu resposta até a publicação.

Em agosto de 2017, o Google lançou a marca de certificação “Google Play Protect” para identificar marcas e aparelhos certificados, que são produzidos por empresas parceiras do Google. Em novembro, a companhia adotou uma nova prática junto aos fabricantes na qual o todos os programas pré-instalados são examinados para garantir que o celular não saia de fábrica com algum código malicioso ou adulterado.

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Celulares não certificados não possuem algumas dessas proteções. Vários são inclusive vendidos já com códigos maliciosos pré-instalados.  Com a nova medida, ficará mais fácil identificar os aparelhos que não foram produzidos por parceiros do Google.

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