No dia 3 de janeiro, a sonda chinesa Chang’e-4 se tornou a primeira a pousar no lado afastado da Lua, mais especificamente na cratera Von Kármán. No dia 13, o Sol se pôs na região, marcando o início da primeira noite lunar para a missão. Entre um e outro eventos, um pé de algodão nasceu e morreu na Lua.

O mundo todo se encantou com o nascimento da plantinha, e depois lamentou sua morte, muitos sem se dar conta de que era exatamente isso que se esperava desde o início.

As plantinhas, assim como ovos de insetos, estavam depositados num cilindro hermeticamente fechado e enviado à Lua, para que se observasse — durante um dia lunar — como o miniecossistema se desenvolvia, exposto à luminosidade solar. A temperatura interna foi mantida constante ao redor de 25 graus Celsius, e imagens internas revelaram o nascimento do brotinho. Mas os cientistas sabiam que a noite chegaria.

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Imagem revela o broto de algodão nascendo na Lua. (Crédito: CNSA)

Com a escuridão, vêm uma queda brusca de temperatura e a inutilidade temporária dos painéis solares. Sem painéis, não há eletricidade, e aí não há forma de manter o invólucro aquecido. As plantinhas, ovos e tudo mais que tinha ali morreram congelados — exatamente como planejado.

Um marco? Sim. Pela primeira vez, vimos uma forma de vida terrestre nascer e vicejar sob condições lunares, com sua gravidade menor e maior incidência de radiação. Mas o principal objetivo do experimento, segundo o líder da pesquisa Liu Hanlong, da Universidade Chongquing, era popularizar a ciência. É isso mesmo. Ele não antevia nenhuma grande descoberta no horizonte, exceto encantar a humanidade com a beleza da exploração espacial. Pois é. Doa a quem doer, o plantio do algodãozinho na Lua, em termos científicos, não é muito diferente do experimento do feijãozinho na Estação Espacial Internacional, e o fato de ambos terem percepção pública tão diversa por aqui diz muito sobre como os brasileiros veem a si mesmos.

Os chineses, que não têm nada com isso, estão curtindo cada novo lance da missão Chang’e-4. Agora, tanto o jipe Yutu-2 como o módulo de pouso estão “hibernando”, esperando a volta do Sol, o que deve ocorrer em pouco mais de uma semana.

A CNSA (agência espacial chinesa) divulgou incríveis imagens do pouso da Chang’e-4 e dos primeiros passeios do Yutu-2 pela superfície. Ele chegou a dar um quarto de volta ao redor do módulo de pouso, colhendo dados sobre as rochas e analisando possíveis rotas. Os chineses, por sinal, dizem que o terreno ao redor é bastante acidentado e a vida não será fácil para o Yutu-2. Mas é garantido que eles vão curtir cada minuto dela.

Esta coluna é publicada às segundas-feiras, na Folha Corrida.

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