A rota interplanetária entre Terra e Marte já virou uma espécie de ponte aérea Rio-São Paulo do Sistema Solar. Um fluxo constante de espaçonaves pega a rota para o planeta vermelho e dá até para dizer que há tráfego no caminho.

Em seu carrossel ao redor do Sol, os dois planetas se alinham adequadamente para a viagem apenas a cada 26 meses, o que faz com que os lançamentos, quando há mais de um, encavalem. Por sinal, apenas uma vez nas últimas duas décadas houve uma dessas oportunidades sem que pelo menos um veículo fizesse o trajeto.

No último sábado (5), partiram três deles, num mesmo foguete Atlas V, a partir da Base Aérea de Vandenberg, na Califórnia. O principal foi a sonda InSight, da Nasa, uma espaçonave destinada a pousar no planeta vermelho e usar instrumentos para estudar a estrutura interna daquele mundo, na esperança de compreender em detalhes como se formam mundos rochosos como o nosso.

Como carga secundária, foram também dois minissatélites, MarCO A e B, que vão testar justamente a viabilidade de tecnologias de baixo custo para futuras missões interplanetárias. Se eles tiverem sucesso, o número de viagens marcianas tende a aumentar.

Enquanto isso, do outro lado do mundo, surgem notícias da leva anterior de espaçonaves, as sondas da ESA (Agência Espacial Europeia) que partiram da Terra em 2016.

Na ocasião, voaram juntos a Marte um módulo de pouso, chamado Schiaparelli, que falhou em sua tentativa de descer à superfície, e um orbitador, o Trace Gas Orbiter.

A boa notícia é que, depois de mais de um ano de ajustes orbitais, o TGO está pronto para colher dados científicos e já mandou sua primeira foto da superfície de Marte — uma bela imagem colorida de encostas de gelo na cratera Korolev.

O TGO tem por principal objetivo estudar a atmosfera de Marte e detectar gases que se apresentam em quantidade-traço, na esperança de ajudar a detectar de onde vem o metano que se apresenta em baixíssima quantidade no ar marciano. Uma possibilidade é que ele seja fruto do metabolismo de bactérias marcianas.

E, como o show tem de continuar, Nasa e ESA anunciaram no fim do mês passado que estão iniciando planos conjuntos para a primeira espaçonave a fazer a rota contrária, de Marte para a Terra.

A ideia é promover um retorno de amostras de solo marciano, a fim de realizar estudos que só poderiam ser feitos nos equipadíssimos laboratórios terrestres.

O protocolo de intenções assinado pelas duas agências indica a expectativa de realizar essa desafiadora missão em diversas etapas até 2030. A primeira delas vem com o jipe Mars 2020, que deve voar na próxima janela e colher amostras para futura remessa à Terra.

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Corrida.

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