O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) concluiu, na última terça-feira (8), o Teste Público de Segurança nas urnas eletrônicas. O objetivo era verificar se as vulnerabilidades encontradas no sistema da urna eletrônica, em 2017, foram resolvidas. No ano passado, professores universitários conseguiram acessar as chaves criptográficas do software, ou seja, acessá-lo.


Desde 2009, o TSE realizou quatro rodadas de checagem de segurança para identificar pontos frágeis no software usados nas urnas eletrônicas. A Justiça Eleitoral nunca achou evidências de fraudes em eleição, como a violação do sigilo dos eleitores ou a transferência de votos entre candidatos.


Porém, o professor da Unicamp (Universidade de Campinas) Diego Aranha, em conjunto com outros acadêmicos de universidades renomadas — Federal de Pernambuco, Federal de São Carlos (SP) e Federal de Campina Grande (PB) —, conseguiu planejar ataques ao sistema que comprovam a viabilidade de interferir no resultado das urnas.


Os testes


Em todos os testes realizados pelo TSE, os investigadores encontraram falhas e vulnerabilidades no sistema. Essa situação tem pontos de vista diferentes entre autoridades e responsáveis por planejar ataques hackers.



“O TSE abre todos os programas e dá acesso a todas as informações. Uma vez identificados problemas, são feitos registros e corrigidos. Isso é uma evidência da transparência institucional para a sociedade verificar a robustez do sistema”, diz Giuseppe Janino, secretário de Tecnologia da Informação do TSE.


“Ao longo das quatro iniciativas de testes, o sistema eleitoral brasileiro demonstrou-se vulnerável. Não dá para dizer que é seguro, apesar de estar em uso há mais de 20 anos”, diz Diego Aranha, da Unicamp


As falhas em 2017


No ano passado, a equipe do professor Aranha havia planejado um último teste que comprovaria a possibilidade de transferência de votos de um candidato para outro, mas por falta de tempo não consegiu executar o ataque.


“O TSE não modela um fraudador realista que poderia vazar o código fonte e trabalhar no conforto de casa para realizar testes quantas vezes precisar. O teste tem restrição de tempo e se não for concluído não há chances para repetir”, pontua Aranha.


Janino não compartilha da mesma tese e afirma que o teste “é um processo democrático e participativo, no qual o cidadão brasileiro pode dar a sua contribuição na melhoria do processo eleitoral.”


Confiança


As divergências continuam quando o assunto é a confiança no sistema eleitoral brasileiro.



“Nós podemos afirmar que as urnas eletrônicas são 100% seguras. São 22 anos de uso e nunca houve um caso de fraude. Isso é comprovado e evidenciado pelos próprios Testes Públicos de Segurança. O sistema eleitoral brasileiro é confiável”, afirma Janino


O professor da Unicamp alerta para a possibilidade de fraudes internas no TSE.


“A urna brasileira não satisfaz os requisitos nem de segurança nem de transparência” e complementa “As eleições sempre estarão vulneráveis a um eventual ataque interno do TSE, que tem acesso privilegiado ao sistema eleitoral.”


Ataques simples


Os problemas de segurança detectados pela equipe de professores, no ano passado, não foram ações consideradas complexas. Uma das fragilidades encontradas foi o uso das mesmas chaves criptogradas em todas as urnas eleitorais do Brasil.



“O armazenamento de chave criptográficas e o embaralhamento de votos não são questões na fronteira do conhecimento humano. Isso é ensinado nos cursos de graduação”, diz Aranha.


O secretário do TSE explica que “as vulnerabilidades encontradas pela equipe coordenada pelo professor Diego Aranha foram interpretadas como defeitos do software.”


Correções do sistema


Nos últimos testes de segurança realizado pelo TSE, os problemas apontados pelos avaliadores foram corrigidos, mas Aranha não concorda com as soluções.


“As medidas apresentadas pelo TSE são aceitáveis por terem sido implementadas em cinco meses, mas entendo que os problemas não foram devidamente corrigidos. O TSE demorou cinco anos para perceber que o armazenamento de chaves criptográficas no código fonte era um problema de segurança”, diz o professor.


Para Janino, “os defeitos apresentados nesta última versão do software e as fragilidades identificadas nas outras edições do Testes Públicos foram devidamente processadas e não foram apontadas novamente”.


Testes X TSE


O professor Aranha não contribuirá  nos próximos testes do TSE por divergências na apresentação dos resultados. Ele classifica como “frustrante” e “desgastante” ter que lidar com a justiça eleitoral.



“O TSE sempre tenta mostrar que o sistema é seguro, quando as evidencias técnicas apontam para o sentido contrário. Não dar tempo não é justificativa para dizer que o sistema confiável. Esse argumento me parece desonesto”, afirma o professor Aranha


O secretário do TSE se mostra confiante no processo eleitoral. “O Brasil é pioneiro e único a abrir o sistema eleitoral para que sejam realizados ataques ao sistema de segurança. Eu tenho plena convicção de que a eleição neste ano está segura e vai estar cada vez mais. Principalmente pela realização dos testes.”


Urnas eletrônicas no mundo


O Brasil usa as urnas eletrônicas desde as eleições municipais de 1996. Os eleitores de outros 32 países também abandonaram a cédula e usam um sistema informatizado de votação. Entre esses estão: México, Venezuela, Itália, França, Rússia, Índia e oito estados dos EUA.



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