Um grupo de pesquisadores e estudantes do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) desenvolveu uma tecnologia inteligente, semelhante a um radar, que permite ver os movimentos das pessoas através das paredes.


A novidade pode ser útil para monitorar idosos ou doentes, mas também cria preocupações com a privacidade. As informações são da rede norte-americana NBC.


Testes mostram que a tecnologia, chamada de RF-Pose, pode revelar, do outro lado de uma parede, se alguém está caminhando, sentado, em pé ou acenando e até identificar indivíduos de um grupo com uma taxa de sucesso de 83%. Seus desenvolvedores dizem que isso pode ser útil para forças de segurança, para buscas e resgates, e na área de saúde.


Dina Katabi, cientista da computação do MIT e líder do grupo, disse em um comunicado que “monitorar a velocidade de locomoção dos pacientes e a capacidade de realizar atividades básicas por conta própria oferece aos profissionais de saúde uma janela para suas vidas que eles não tinham antes, o que poderia ser significativo para uma série de doenças”.


Ela e seus colegas apresentaram uma nova pesquisa sobre a tecnologia no mês passado em uma conferência sobre visão computacional em Salt Lake City.


Katabi disse que os médicos podem usar a tecnologia para vigiar alguém com doença de Parkinson, observando mudanças que possam indicar um problema iminente. Ela também poderia ser usada para monitorar um idoso e emitir um alerta para os parentes em caso de queda.


A tecnologia usa inteligência artificial para interpretar dados de ondas de rádio. As primeiras versões desenvolvidas podiam detectar a silhueta de uma pessoa atrás de uma parede, mas Katabi disse que esta é a primeira vez que é possível rastrear e identificar pessoas de perto.


O coração da RF-Pose é um transmissor de rádio do tamanho de um laptop. As ondas de rádio que ele transmite atravessam paredes, mas são refletidas pelo corpo humano devido ao seu alto teor de água. Algoritmos do computador analisam as ondas refletidas, voltadas para a cabeça, mãos, pés e outras partes do corpo para produzir figuras em movimento em uma tela.


Katabi e sua equipe programaram a RF-Pose com fotografias de pessoas. Assim o equipamento ‘aprendeu’ a produzir um boneco sempre que seus sinais de rádio indicassem a presença de uma pessoa.


Segundo pesquisadores de fora do grupo que analisaram a pesquisa, a principal limitação atual do equipamento é que os sinais de rádio ainda não conseguem atravessar paredes mais grossas.


“Pode se tornar um avanço, se essa limitação puder ser resolvida”, disse Ginés Hidalgo, pesquisador do Instituto de Robótica da Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh.


Hidalgo, no entanto, afirmou que a tecnologia também cria preocupações com a privacidade. “Se uma câmera normal está me gravando, isso significa que eu posso ver a câmera também. Se esta câmera puder ser escondida atrás ou mesmo dentro de qualquer objeto, eu nunca seria capaz de saber quando estou sendo monitorado.”


Por sua vez, Dina Katabi afirmou que entende essa questão. “Particularmente no clima atual, esta é uma questão importante”, disse ela à agência de notícias Motherboard. “Desenvolvemos mecanismos para bloquear o uso da tecnologia, e também para criptografar os dados e torná-los anônimos.”



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