Após uma viagem de três anos e meio, uma sonda japonesa chegou às proximidades do asteroide Ryugu, em formato de losango – que muitos compararam a um diamante bruto ou a um pião.


A Hayabusa 2 partiu da base espacial Tanegashima em 2014 para estudar o asteroide de perto.


A missão pretende recolher amostras de rochas e do solo do asteroide.


Makoto Yoshikawa, responsável pela missão, explicou os próximos passos da Hayabusa 2 BBC: “Primeiro, vamos estudar cuidadosamente as características da superfície. Depois, vamos escolher o local da aterragem para fazer a coleta de material”.


A ideia é lançar, da Hayabyusa 2, um projétil de cobre – chamado de “impactor” – na direção da superfície do asteroide. Uma vez que a Hayabusa 2 esteja a uma distância segura, uma carga explosiva será detonada no projétil para lançá-lo em alta velocidade na direção da superfície do asteroide e, com o impacto, criar uma cratera.





Depois, a nave se aproximará da cratera e enviará pequenas sondas – do tamanho de caixas de sapato – para fazer a coleta de material.


Missão importante


A partir das amostras do Ryugu, os cientistas esperam avançar nos estudos sobre a origem e evolução do Sistema Solar.


Asteroides são, essencialmente, sobras de material da formação do Sistema Solar, há 4,6 bilhões de anos. Eles contêm água, compostos orgânicos – são ricos em carbono – e metais preciosos.


São tão importantes que há empresas analisando a viabilidade de explorar a mineração de asteroides.





Formato inesperado


Yoshikawa, que é professor do Instituto de Ciência Espacial e Astronáutica do Japão, disse que o formato do asteroide é completamente inesperado, assim como a duração de seu movimento de rotação.


Para ele, asteroides que apresentam essa forma, em geral, tendem a ter “dias” curtos, completando uma rotação a cada três ou quatro horas. Mas o período de rotação de Ryugu é relativamente longo: cerca de 7,5 horas.


“Muitos pesquisadores do nosso projeto acreditavam que, no passado, o período de rotação de Ryugu era mais curto, ou seja, ele girava mais rápido, e depois começou a ficar mais lento. Não sabemos o porquê da desaceleração, mas essa é uma característica interessante”, disse Yoshikawa.


Hayabusa 2 passará cerca de um ano e meio pesquisando o asteroide de 900 metros de largura e que está a, aproximadamente, 290 milhões de quilômetros da Terra.


Durante esse período, os cientistas esperam desembarcar no Ryugu um robô e um analisador autônomo denominado Mascot – que enviará informações à nave-mãe.


A própria sonda depois pousará no asteroide para coletar material.


O asteroide Ryugu é de um tipo chamado C, considerado relativamente primitivo. Isso significa que ele pode ser rico em minerais orgânicos e hidratados. Por isso, a análise da composição do asteroide ajudará a entender a composição molecular que contribuiu para a criação de vida na Terra.


É provável que a superfície do asteroide tenha se desgastado e sido alterada por eras de exposição ao ambiente hostil do espaço. É por isso que os cientistas da Hayabusa 2 querem conseguir encontrar amostras da partes mais profundas possíveis do corpo celeste.


A Hayabusa 2 leva a bordo o instrumento Lidar, que mede distâncias através de variações de luz e é usado como sensor de navegação em aproximação e aterragens.


Na terça-feira, os pesquisadores usaram com sucesso o Lidar para medir a distância entre a Hayabusa 2 e o asteroide pela primeira vez.


Está previsto que a missão japonesa deixe Ryugu em dezembro de 2019 e retorne à Terra em 2020.


A primeira Hayabusa foi lançada em 2003 e aterrissou no asteroide Itokawa em 2005. Apesar de ter enfrentado uma série de contratempos, ele retornou à Terra em 2010 com uma pequena quantidade de amostras do asteroide.



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