O lançamento da sonda InSight foi bem-sucedido, e a espaçonave da Nasa já está a caminho de Marte, onde deve tentar realizar um pouso em novembro, para estudar a estrutura interna do planeta vermelho.

O foguete Atlas V-401 teve desempenho exemplar, a despeito de alguns alertas de anomalias de telemetria poucos minutos antes da decolagem. O voo começou exatamente na abertura da janela, às 8h05 (de Brasília) do sábado (5). Após cerca de 60 minutos numa órbita terrestre baixa, o motor do segundo estágio colocou a sonda em sua trajetória interplanetária.

Foi um voo histórico: o primeiro lançamento de uma sonda interplanetária da Nasa a partir da Base Aérea de Vandenberg, na Califórnia. Até então, todos os lançamentos do tipo haviam sido feitos da Flórida, local mais propício para esse perfil de missão.

VEJA COMO FOI

A opção por Vandenberg foi logística — havia menos disponibilidade na plataforma para cobrir os pouco mais de dois meses da janela de lançamento para Marte, que ia de 5 de maio a 8 de junho.

Ao longo dos próximos seis meses, a InSight deve fazer uma série de pequenas correções de curso para chegar a seu destino final, em Elysium Planitia, na região equatorial de Marte.

A missão desta vez não envolve um jipe robótico, mas um módulo de pouso estacionário, que colocará diversos instrumentos na superfície de Marte. Um sismômetro medirá “martemotos” — terremotos marcianos — e com isso será capaz de investigar a estrutura interna do planeta vermelho.

Uma perfuratriz fará uma penetração a até 5 metros de profundidade para medir quanto calor ainda flui do interior de Marte para a superfície. Câmeras ajudarão a medir oscilações no eixo de rotação marciano ao longo de sua órbita em torno do Sol.

Por fim, uma estação meteorológica medirá ventos e temperatura na atmosfera marciana no local de pouso.

Tudo isso, claro, se o pouso for bem-sucedido.

HERANÇA TECNOLÓGICA
A espaçonave em si é fortemente baseada na Phoenix, módulo de pouso que desceu próximo ao polo Norte de Marte em 2008. “Algumas das peças inclusive foram reaproveitadas daquela missão”, diz Ramon de Paula, engenheiro brasileiro que trabalha no Quartel-General da Nasa como executivo de programa da missão.

Apesar dessa similaridade, pousar em Marte é sempre difícil, e o fato de ter dado certo em 2008 não quer dizer que vá sair tudo bem agora. “A probabilidade de sucesso é a mesma da que tinha a Phoenix, porque há outros fatores em jogo.”

Com efeito, enquanto a Phoenix desceu proximo a um polo, a InSight vai para uma região colada ao equador marciano, em Elysium Planitia. A nova nave é um pouco mais pesada, vem em velocidade maior e terá menos atmosfera para ajudar na frenagem com para-quedas, uma vez que a área de pouso da InSight tem altitude cerca de 1.500 metros maior que a da Phoenix.

Apesar dos desafios, há grande confiança de que a missão será bem-sucedida. “As estimativas são da ordem de 99,8%, 99,9%”, diz De Paula.

Para monitorar a descida, dois minissatélites, MarCO A e B, foram lançados junto com a InSight. Além de tentar captar o sinal da InSight durante o pouso e retransmiti-lo para a Terra, a dupla testará a tecnologia de cubesats de baixo custo para missões interplanetárias.

O custo total da missão é de US$ 829 milhões.

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