O escritor e ativista irlandês Bernard Shaw (1856–1950), Nobel de Literatura em 1925, tinha interesse pela ciência invulgar entre seus colegas. Seguiu com atenção o trabalho de Pavlov sobre o comportamento de cães e o experimento de Michelson-Morley sobre a velocidade da luz. Visitava laboratórios, onde gostava de “espiar bactérias no microscópio”.

Satírico, famoso por suas frases polêmicas (“Quem sabe, faz. Quem não sabe, ensina.”), Shaw via na ciência um meio para criticar a sociedade de seu tempo e escreveu sobre muitos temas de pesquisa.

Mas, ao contrário do que pensava, sua aptidão científica era medíocre, seu gosto, duvidoso, e quase todas as suas “contribuições” erradas ou disparatadas. 

Desprezava a medicina, tinha ideias estranhas sobre higiene e era contra a vacinação. Não aceitava que o Sol está queimando e achava que a experimentação em laboratório é pura armação.

Só uma ciência teve a honra de que Shaw a respeitasse e não tentasse enriquecê-la: a matemática. 

Reconhecia sua ignorância, que atribuía à educação: “Não me foi dita uma palavra sobre o significado e a utilidade da matemática. Só mandaram construir triângulos equiláteros intersectando dois círculos, e somar com a, b e x, em lugar de metros ou litros, deixando-me tão ignorante que eu achava que a e b era ovos e queijo, e x era coisa nenhuma”.

Assim mesmo, um de seus escritos científicos mais lúcidos é o bonito ensaio “O vício do jogo e a virtude do seguro”, em que Shaw usa a estatística e a probabilidade para atacar o jogo legalizado, que tira dinheiro da sociedade a troco de nada tangível, e defender a previdência social, que segura o cidadão contra imprevistos.

Foi dito que se houvesse mais Shaws ensinando matemática ela seria mais popular, mas que a probabilidade desse evento era muito baixa mesmo.



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