Kingdom Come: Deliverance já nasceu como um jogo diferente. Enquanto RPGs tradicionais possuem toneladas de mitologias, monstros, classes e magias, esse game utiliza algo muito mais palpável: a história mundial, mais precisamente uma guerra de 1403 do Reino da Boêmia, um estado independente do Sacro Império Romano-Germânico.


Pode-se dizer que esse é o primeiro RPG realmente medieval já lançado para um videogame.


Por causa de sua busca obsessiva com a história e suas mecânicas complicadas (o personagem precisa aprender a ler, se alimentar, cuidar da própria imagem), e por ter visão em primeira pessoa, o estúdio Warhorse, fundado em 2011 na República Checa, não conseguiu uma empresa que financiasse a produção.


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“Seu jogo é muito de nicho. Não há mágica. As pessoas querem magos e dragões”, eram as respostas de financiadores sobre o game, segundo a Warhorse.


A saída foi partir para o financiamento coletivo, após um financiador privado liberar dinheiro para uma primeira etapa de produção. Uma campanha no Kickstarter foi lançada e em um mês se tornou um dos 15 projetos mais bem-sucedidos de games no site, com R$ 5.503 milhões (1.106 libras) arrecadados, mais de três vezes a quantia pedida inicialmente.


— O Kickstarter foi muito importante para nós [do Warhorse Studios]. Sem ele não existiria o jogo, nem o estúdio. Porque os custos impactam muito nos primeiros passos do estúdio — disse em entrevista ao R7 o gerente de relações públicas do estúdio, Tobias Stolz-Zwilling.


Foram quatro anos desde o sucesso da campanha até o lançamento do jogo. Assim como o personagem principal Henry, um camponês que se envolve em uma guerra gigante, a jornada de desenvolvimento foi complicada.


Problemas


Kingdom Come foi lançado em fevereiro e muitos críticos de games concordaram que era um jogo grandioso e imersivo, que conseguiu fazer o que se propôs. Mas existiam bugs e erros irritantes, como flechas que nunca acertam o alvo, personagens que o impedem de completar missões, e armas que não funcionam direito.


As falhas de programação não são incomuns em empresas de médio porte com prazos apertados e dinheiro contado. Para lidar com a pressão, a Warhorse foi o mais transparente possível.





— Primeiramente, deixamos claro quais eram nossos planos para o jogo. Mas, pessoas interpretam informações de forma diferente. Tivemos bastante comprometimento com a campanha — ressaltou Stolz-Zwilling.


Jogando


Durante a Brasil Game Show o game esteve disponível para ser jogado com atualizações que corrigiram muitos dos bugs que incomodaram os jogadores após seu lançamento. Foi possível experimentar todo o realismo levado às últimas consequências.


Como trata-se de um RPG, administrar o desenvolvimento do personagem é o mais importante. Combater um inimigo mais preparado que você pode significar morte na certa. Entrar em uma batalha com fome também. Mesmo quando um duelo de espadas termine em vitória para o jogador, uma estocada do inimigo pode significar um sangramento fatal posterior.


Há outras situações que se acumulam e tornam a aventura de Henry ainda mais diferenciada: estar com as roupas sujas de sangue pode causar aversão de um nobre durante uma conversa, mas irá atrair a atenção de pessoas de reputação duvidosa para missões exclusivas que incluem roubar bebida, por exemplo.





Da mesma forma que o jogo se propõe a ser inovador, campanhas de financiamento coletivo podem financiar total e parcialmente produtos cada vez mais ambiciosos e diferentes.


O produto da semana, por exemplo, é um óculos que bloqueia telas na vida vida real — seja da maioria das TVs e alguns computadores. São produtos como esse que empresas não enxergam como produtos comercializáveis, mas que encontram diretamente no público uma porta de existência.


Perguntado sobre a possibilidade de games realmente gigantes e com custos altíssimos serem financiados coletivamente no futuro, Stolz-Zwilling foi um tanto cauteloso.


— Ele é uma grande oportunidade para pequenos desenvolvedores apresentarem projetos direto para suas comunidades. Entretanto, existem também estúdios que usam o Kickstarter como ferramentas de marketing ou com formas de aumentar o próprio orçamento. Isso indica que o público deve ter um pouco de cuidado na hora de investir dinheiro em campanhas do tipo.


Em um mundo onde editoras e publishers ditam que jogos e produtos devem ser lançados, ver Kingdom Come: Deliverance — com problemas, mas fiel ao que divulgou que faria — pode ser um indicativo do futuro da indústria como um todo.


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