Baratos, ecológicos e fáceis de serem encontrados, os patinetes elétricos compartilhados se tornaram uma opção atrativa para quem precisa fazer trajetos de poucos quilômetros em Washington. Mas o novo sistema tem enfrentado alguns percalços, tais como atos de vandalismo, acidentes envolvendo condutores e críticas de pedestres.

A novidade chegou à capital americana no início do ano, poucos meses depois de o departamento de trânsito da cidade dar início a um projeto piloto para testar a eficácia de sistemas “dockless” de bicicletas e patinetes, ou seja, sem estações. A fase de testes terminaria no fim do mês, mas a prefeitura anunciou na última quinta (30) que vai estendê-la até dezembro.

É por meio de aplicativos que o usuário encontra o equipamento mais próximo, geralmente estacionado em calçada. No centro da capital, a busca não costuma durar mais do que alguns minutos.

Os adeptos ao meio de transporte podem escolher entre três opções: Bird, Lime e Skip. Cada uma dessas start-ups tem direito a um limite de 400 patinetes. A Spin, que operava só bicicletas, é a próxima a trazer patinetes a DC.

A Bird e a Skip cobram US$ 1 (R$ 4,15) para a viagem começar e, depois, 15 centavos por minuto. Um trajeto de 30 minutos, por exemplo, sairia por US$ 5,50 (R$ 22,82).

O negócio tem atraído a atenção de investidores. Em julho, a Lime anunciou que recebeu um investimento de US$ 335 milhões (mais de R$ 1 bilhão) de um grupo de empresas, entre elas Uber e Alphabet, para expandir suas operações. Na época, foi avaliada em US$ 1,1 bilhão (R$ 4,5 bilhões).

Um mês antes, foi divulgado que a Bird arrecadou mais de US$ 400 milhões em quatro meses de investidores tais como Sequoia Capital, Accel e B Capital. Seu valor foi estimado em US$ 2 bilhões (R$ 8,3 bilhões).

O brasileiro Pedro Suplicy, 37, diretor de uma empresa multinacional de consultoria, trabalha a cerca de 1,5 quilômetro de casa e usa o patinete como meio de transporte quase todos os dias.

“Para quem trabalha de terno, mais formal, é bom porque dá para se locomover em pé, sem amassar a roupa”, diz ele, que antes usava aplicativos de compartilhamento de veículos e bicicleta. “E ainda é divertido, me remete aos tempos em que andava de skate.”

Enquanto uma viagem de carro saía a, no mínimo, US$ 7 (em torno de R$ 28), agora não gasta mais do que US$ 2 (cerca de R$ 8) por dia com o patinete. “Os únicos problemas são que não tenho onde colocar a pasta de trabalho e, dependendo da subida, o equipamento pode dar uma falhada.

Há um ano e meio vivendo em Washington, o diplomata Tiago dos Santos, 37, usa menos o sistema, em torno de uma vez por semana, para deslocamentos de até dez quarteirões.

“Ao contrário do que acontece com uma bicicleta própria, não é necessário se preocupar com onde deixar e com ter de retornar usando o mesmo meio de transporte”, diz. Ele acredita, no entanto, que faltam patinetes espalhados pela cidade.

O sistema também é uma boa opção para conectar o usuário a transportes públicos e liberar espaço em estradas e estacionamentos, observa Susan Shaheen, do centro de pesquisas de sustentabilidade em transportes da Universidade da Califórnia em Berkeley. “É uma opção eficiente para áreas urbanas e densas”, afirma.

Outra vantagem é o fato de gastar pouca energia, menos do que um carro elétrico. A Skip estima que uma viagem de uma milha (cerca de 1,6 quilômetro) gaste menos de um décimo da eletricidade que seria usada por um veículo elétrico no mesmo trecho.

Alguns problemas, contudo, começam a diminuir a euforia inicial em torno da novidade.

A depredação é um dos percalços enfrentados pelas start-ups. Um perfil no Instagram chamado Bird Graveyard (cemitério Bird), com mais de 39 mil seguidores, reúne flagras de patinetes destruídos pela cidade, encontrados em latas de lixo, enterradas na areia da praia e queimadas.

A obstrução de calçadas e vias é outra questão, lembra Frank Douma, pesquisador do centro de estudos em transportes da Universidade de Minnesota. “Como as viagens podem começar e terminar em qualquer lugar, os patinetes podem ser deixados nas portas de casas, em travessias de ruas e calçadas”, diz.

Os aplicativos orientam motoristas a andar com o equipamento apenas em ciclofaixas e a não largá-lo no meio da calçada. Mas críticas quanto à falta de regulação das operações pelas autoridades são constantes.

Existe ainda o risco de acidentes. Na última semana, uma jovem de 21 anos foi atropelada por um carro em Cleveland (Ohio) enquanto andava com o patinete e morreu. Em Dallas (Texas), uma mulher foi parar na sala de emergência do hospital depois de uma primeira experiência mal sucedida com o produto. A lista só aumenta, especialmente entre aqueles que resistem ao uso do capacete.

Alguns lugares começaram a impor restrições ao uso do sistema. Em junho, após relatos de colisões com pedestres e obstrução de calçadas, a cidade de São Francisco (Califórnia) baniu os patinetes até que as empresas obtivessem autorização da prefeitura para operar. Um mês depois, Beverly Hills proibiu por seis meses o uso dos patinetes.

Apesar dos problemas, Shaheen, de Berkeley, estima que o sistema deve se popularizar mais nos próximos cinco anos, conforme for ganhando mais visibilidade, estações de recarga e a tecnologia se desenvolva.

Douma concorda que tem potencial. “Se substituírem os carros, será um ganho. Mas não conheço evidências de que sejam mais vantajosos do que uma caminhada ou bicicleta”, diz.

Em São Paulo, a Scoo já realiza testes com os patinetes nas avenidas Paulista, Faria Lima e no Ibirapuera. A Yellow anuncia em seu site a chegada de um sistema semelhante.



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