Alô, adeptos de fake news, teorias da conspiração, hipóteses de fim de mundo e simpatizantes! O tema hoje é um dos favoritos de vocês: o campo magnético da Terra — nossa principal linha de proteção contra partículas carregadas nocivas vindas do espaço cósmico. Sabemos que ele está paulatinamente se tornando mais fraco ao longo das últimas décadas, a um ritmo de 5% por século.

É para preocupar? Há quem diga que ele vai desligar, nos deixando ao menos temporariamente desprotegidos. Há os que defendam que ele vai passar por uma reversão — polo norte vai virar sul, e sul, norte –, como já aconteceu tantas outras vezes na história da Terra.

Um novo estudo liderado por Maxwell Brown, da Universidade da Islândia, e publicado na revista da Academia Nacional de Ciências dos EUA joga água nessa fervura e diz que provavelmente nada tão radical assim vai acontecer — pelo menos não tão já.

A chave para a predição é a chamada Anomalia do Atlântico Sul, uma região entre a América do Sul e a África em que o campo magnético é estranhamente mais fraco.

Os pesquisadores criaram, a partir de evidências geológicas, um modelo da evolução do campo magnético terrestre entre 30 mil e 50 mil anos atrás, cobrindo os dois últimos “bugs” da magnetosfera, que, segundo o registro geológico, ocorreram 41 mil e 34 mil anos atrás.

Em ambos os casos, a mudança súbita do campo magnético foi antecedida por um quadro que não tinha uma única anomalia com estrutura similar à do Atlântico Sul.

Em compensação, em momentos em que houve uma situação como a atual, há 49 mil e 46 mil anos, o que houve foi uma posterior recuperação do campo magnético. É o que os pesquisadores apostam que vai acontecer agora. Mas, mesmo que eles estejam errados, os arautos do apocalipse podem colocar as barbas de molho. A humanidade já existia durante esses últimos eventos de mudança do campo magnético e sobreviveu muito bem, obrigado.

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Corrida.

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