O que exatamente um planeta precisa ter para abrigar vida? E vida inteligente? Na dúvida, os cientistas que procuram planetas fora do Sistema Solar sonham encontrar pencas de mundos que sejam similares à Terra, em órbitas similares à da Terra, ao redor de estrelas similares ao Sol. E agora uma dupla de astrofísicos brasileiros parece ter encontrado um método para fazer exatamente isso.

O trabalho que descreve a técnica sai no periódico The Astronomical Journal e envolve o uso de um fenômeno descrito originalmente por Albert Einstein, as lentes gravitacionais. Einstein foi o primeiro a calcular de que maneira os raios de luz de um objeto celeste distante seriam curvados pela gravidade de um segundo astro que se interpusesse entre ele e o observador. Essa é a tal lente gravitacional, que se faz notar de forma mais aguda quando gerada por objetos com altíssima massa, como galáxias e aglomerados de galáxias.

Estrelas, contudo, também podem produzir esse efeito, ainda que de maneira reduzida. São as microlentes. E se houver um planeta ao redor da estrela que gera a lente, a gravidade dele também causará uma pequena distorção do resultado. Assim, observando esse fenômeno, astrônomos têm descoberto diversos mundos lá fora, embora até o momento os achados sejam limitados em geral a planetas maiores em órbitas mais afastadas.

A grande sacada de Leandro de Almeida, doutorando da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), e seu orientador, José Dias do Nascimento, foi desenvolver um jeito de identificar com mais rapidez e precisão padrões em microlentes gravitacionais que estivessem ligados a uma estrela como o Sol com um planeta como a Terra numa órbita similar à terrestre.

Com isso, é possível agora vasculhar as grandes bases de dados de eventos de microlentes já registrados e aí identificar planetas que até então tenham passado despercebidos. Aliás, segundo a dupla da UFRN, esse trabalho já começou e deve produzir novas descobertas em breve.

Conforme os achados forem aumentando, será possível fazer um censo mais preciso da frequência de estrelas de tipo solar que têm planetas como o nosso. O satélite Kepler, da Nasa, chegou perto, mas ele estava limitado a planetas ligeiramente maiores que a Terra.

É uma boa notícia, claro, mas não deve ajudar diretamente a busca por vida. Eventos de microlentes gravitacionais normalmente envolvem estrelas distantes demais para que se façam posteriormente estudos de caracterização detalhada desses planetas por outros meios.

Esta coluna é publicada às segundas-feiras, na Folha Corrida.

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