Estamos entrando na terceira era da Apple. Inicialmente uma companhia de computadores pessoais e hoje a trilionária fabricante do iPhone, a companhia está em busca da próxima grande novidade. As especulações quanto ao que ela poderia ser disparam a cada vez que um novo projeto dos laboratórios da empresa é revelado, seja um carro autônomo, um plano para serviços de saúde ou um óculos de realidade aumentada.

Embora os serviços vinculados ao iPhone sejam em si parte substancial e crescente da receita da Apple, ela continuará a necessitar de hardware para reter consumidores. Aposto que o futuro da empresa dependerá de um componente pequeno mas já próspero de sua carteira de produtos: os eletrônicos vestíveis.

Em sua conversa com analistas durante o mais recente anúncio de resultados da empresa, Tim Cook, o presidente-executivo da Apple, disse que o Apple Watch e os fones de ouvido AirPods geraram US$ 10 bilhões em receita nos quatro últimos trimestres. A empresa gerou quase US$ 30 bilhões em receita com o iPhone em seu último trimestre apenas, mas as vendas dos produtos vestíveis estão crescendo em um momento de estagnação nas vendas de computadores e smartphones. O grupo de pesquisa IDC definiu a Apple como líder do segmento de produtos eletrônicos vestíveis, com 17% do mercado mundial.

Nesta quarta-feira (12), a Apple deve anunciar um novo Apple Watch e novo AirPods, e modelos novos do iPhone. Não deve surgir nada de revolucionário, mas as atualizações propelirão o avanço incansável da empresa rumo às suas ambições no segmento dos vestíveis. O novo Apple Watch deve apresentar capacidade superior como monitor de saúde e substituto do celular, e o novo AirPods deve ser uma ponte para o Siri e outros aplicativos da empresa.

O que fica aparente é que a Apple está construindo um ecossistema de computadores vestíveis do qual seus clientes comprarão algum subconjunto, a depender de suas necessidades. Para o futuro, a empresa ainda guarda novidades no segmento de vestíveis de realidade aumentada –talvez óculos ou fones –, e quanto a outros sensores para uso em nossos corpos ou nossos ambientes que ofereçam maneiras alternativas de monitorar a saúde.

Todos os aparelhos terão um chip projetado pela Apple e conectividade sem fio, o que lhes dará o potencial de se tornarem plataformas. E o iPhone sempre melhorado vai se tornar menos um telefone e mais uma espécie de polo central para a “rede de área corporal”.

Isso se torna especialmente relevante no caso da realidade aumentada. Em novembro do ano passado, Cook disse que acreditava que a realidade aumentada “vai mudar para sempre a maneira pela qual usamos a tecnologia”.

Existem outros caminhos que a Apple poderia seguir nos eletrônicos vestíveis, especialmente no caso dos sensores de saúde. Em 2017, a companhia adquiriu a Beddit, uma empresa que fabrica hardware para monitorar o sono. A Apple ainda patenteou um sistema para monitorar os batimentos cardíacos via fone de ouvido. Todos esses avanços graduais podem expandir a fatia de mercado e o alcance da Apple. E é essa receita –em serviços e em atualizações semestrais de hardware – que importa mais para o futuro da Apple.

As vendas dos eletrônicos vestíveis da empresa talvez jamais eclipsem as do iPhone, mas eles podem ser o mais importante propulsor dos negócios da Apple em geral. A chave está na proporção da receita de empresa que vem dos serviços –um pedaço da torta que vem crescendo ainda mais rápido que as vendas de eletrônicos vestíveis. Em 2017, os “serviços” já eram um negócio de US$ 30 bilhões, e no mais recente trimestre, responderam por quase US$ 10 bilhões em receita.

Tradução do inglês de Paulo Migliacci



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