A Nasa decidiu tentar enviar um mini-helicóptero para Marte em 2020. O anúncio foi feito na última sexta-feira (11), e, caso tudo dê certo, ele será o primeiro veículo desse tipo a voar em outro mundo.

O pequeno dispositivo é classificado pela agência como um projeto de “alto risco, altas recompensas”. Resumindo: tem grandes chances de não funcionar, mas, se funcionar, pode produzir resultados espetaculares e ter grande impacto no futuro da exploração marciana.

O Mars Helicopter viajará para Marte junto com o jipe robótico Mars 2020, com lançamento marcado para julho de 2020 e pouso em fevereiro de 2021.

O drone deve fazer uma missão-teste de 30 dias cujo objetivo é demonstrar a viabilidade do uso de veículos mais pesados que o ar para varrer terrenos mais amplos e ajudar no planejamento das missões de futuros jipes robóticos, antecipando rotas e percursos com base em critérios científicos e técnicos. Estima-se que um mini-helicóptero possa ampliar em até três vezes o quanto um jipe pode avançar por sol (dia marciano).

Contudo, voar com hélices em Marte não é trivial, uma vez que a atmosfera marciana é extremamente rarefeita, comparável a um centésimo da terrestre ao nível do mar. Isso dificulta muito a geração de sustentação. Em compensação, a gravidade de Marte também é menor, 40% da terrestre, o que facilita a ascensão.

O helicóptero consiste em um cubo de 14 cm de largura com câmera, painéis solares, bateria e uma fonte de calor para preservar a eletrônica durante as noites marcianas, quando a temperatura mergulha para -90° C. As hélices em si terão um diâmetro de 1,1 metro, e todo o controle do voo, entre decolagem, travessias e pousos, terá de ser feito por inteligência artificial — a distância entre Marte e o controle da missão na Terra impede pilotagem remota em tempo real.

O projeto vem desde 2013 e recebeu US$ 23 milhões em 2018 para prosseguir seu desenvolvimento até o lançamento. E a Nasa enfatiza que trata-se apenas de um bônus da missão Mars 2020 — o jipe robótico não depende dos voos bem-sucedidos de seu acompanhante helicóptero para realizar seus estudos.

O rover, com custo total estimado em US$ 2,1 bilhões, é fortemente baseado no Curiosity, jipe que opera em Marte desde 2012. Entre suas atribuições, o Mars 2020 deve buscar sinais fósseis de vida no planeta vermelho, testar uma tecnologia para fabricar oxigênio a partir do dióxido de carbono da atmosfera e fazer a primeira coleta de amostras marcianas para futuro transporte de volta à Terra.

BÔNUS 1: Nasa faz anúncio relevante na busca por vida em Europa
A agência espacial americana fará um bate-papo científico às 14h (de Brasília) desta segunda-feira (14) para discutir novidades referentes a Europa, lua-oceano de Júpiter que consiste num dos principais locais para busca por vida extraterrestre dentro do Sistema Solar. Acompanhe ao vivo com tradução simultânea do Mensageiro Sideral.

BÔNUS 2: Façamos um brinde à ciência e a Stephen Hawking
Para quem gosta de conversa de bar da melhor qualidade, começa nesta segunda-feira (14) mais uma edição do Festival Pint of Science, um grande evento que acontece no Brasil inteiro promovendo uma das misturas mais interessantes que existem: cerveja e ciência.

Estarei no Café Journal, em São Paulo, a partir das 19h30, para fazer uma breve apresentação sobre o físico Stephen Hawking, em meio a outros dois craques do jornalismo de ciência. André Jorge de Oliveira, da revista Galileu, falará do futuro da exploração espacial, e Juliana Duarte, do ICB-USP, abordará o trabalho de divulgação científica dentro da universidade. Também teremos um debate. O Café Journal fica na Alameda dos Anapurus, 1121, em Moema, e, para quem quiser ir, aparentemente é necessário fazer reserva de mesas. Liga lá e apareça: (11) 5055-9454.

http://mensageirosideral.blogfolha.uol.com.br/

Mais informações sobre o Festival Pint of Science aqui.

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Corrida.

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