A Nasa apresentou nesta quarta-feira (27) mais uma revisão do progresso com o Telescópio Espacial James Webb (JWST), e as notícias são nada boas. O projeto teve mais um adiamento do lançamento, agora marcado para, na melhor das hipóteses, março de 2021, e o custo ultrapassou em mais de US$ 800 milhões o limite imposto para o Congresso americano.

“Não se enganem, não estou feliz em me sentar aqui e dizer isso a vocês”, disse Thomas Zurbuchen, vice-administrador de Ciência da agência espacial americana, durante a coletiva organizada para comunicar as novidades. Ele admitiu que o processo de revisão encontrou diversos erros de todo tipo na condução da inciativa — organização, projeto, falha humana — que levaram o grande telescópio a se tornar um ralo de dinheiro.

Para que se tenha uma ideia, quando o JWST começou a ser desenvolvido, em 2002, previa-se que fosse lançado em 2010. A empresa Northrop Grumman ficou responsável pela integração do satélite, com seu espelho multifacetado de 6,5 metros de diâmetro. Na época, orçou-se o projeto em pouco mais de US$ 800 milhões. Rá! Anos depois, o lançamento passou para 2018, 2020 e agora 2021. A bola de neve dos custos foi crescendo junto, a ponto de o Congresso impor um limite máximo para a Nasa: US$ 8 bilhões.

E foi justamente esse limite que agora foi oficialmente cruzado: a nova estimativa de custo é de US$ 8,8 bilhões. E, se colocarmos na conta a futura operação do telescópio espacial, pensado como o grande sucessor do Hubble, a etiqueta de preço vai a US$ 9,6 bilhões.

Isso significa que a Nasa terá de pedir uma nova aprovação do projeto pelos congressistas americanos. É improvável que eles puxem o fio da tomada a essa altura, uma vez que a maior parte desse dinheiro já foi gasta, mas o mau humor é grande. Dar mais dinheiro ao James Webb provavelmente envolve promover cortes em outros projetos da Nasa.

Focado em observações em infravermelho, o telescópio espacial é ansiosamente aguardado pela comunidade científica. Ele será capaz de analisar a atmosfera de exoplanetas e enxergar mais longe do que qualquer outro telescópio, em busca das primeiras estrelas e galáxias do Universo. Mas tudo isso movido a muitos atrasos e um caminhão de dinheiro.

Não é por acaso que o governo americano já treme nas bases quando a Nasa fala do próximo grande telescópio, pós-James Webb, o WFIRST. Recentemente a agência espacial exigiu mudanças no projeto para barateá-lo e melhorar a capacidade de controlar seus custos.

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