Morreu nesta quarta-feira (4) o físico e professor da USP Ernst Wolfgang Hamburger, que lutava havia três anos contra um linfoma, tipo de câncer que atinge células do sistema imunológico.

Conhecido por seus trabalhos com física nuclear, que ajudaram a entender a organização dos núcleos dos átomos, Hamburger também teve atuação marcante na divulgação e na educação científica. 

Um dos destaques de sua trajetória, lembra a filha Esther, foi seu trabalho como diretor da Estação Ciência, que funcionava na Lapa (zona oeste de São Paulo). Dentro do projeto Clicar, foram alfabetizados meninos de rua que se mostravam fascinados pelo computador. Alguns se tornaram monitores da iniciativa. 

Nascido em 8 de junho de 1933 em Berlim, Ernst Hamburger veio aos 3 anos com os pais para o Brasil. O pai era um magistrado e conseguiu repetir a carreira por aqui, chegando ao posto de desembargador. A família, de origem judia, é fundadora da Congregação Israelita Paulista.

Hamburger cresceu entre as ruas Haddock Lobo e Groenlândia, nos Jardins. Aprendeu português com os amigos na rua e estudou na Escola Estadual Presidente Roosevelt. 

Ele decidiu cursar física na USP e recebeu o diploma em 1954, mesmo ano e turma na qual se formou sua futura esposa, Amélia Império Hamburger, com quem teve cinco filhos. Amélia morreu em 2011.

O físico fez doutorado na Universidade de Pittsburgh (EUA), concluído em 1959, onde também lecionou, e foi um dos mais jovens professores catedráticos da USP, aos 35 anos de idade.

São vários os reconhecimentos ao professor: era membro da Academia Brasileira de Ciências, recebeu prêmios da Unesco e uma condecoração pelo mérito científico, mas o título de que ele mais se orgulhava era o de cidadão paulistano, recebido em 2013. 

“Para ele a vida era um pensamento a ser atualizado. Sempre tinha uma pergunta a fazer cuja resposta mudava totalmente a maneira de pensar”, conta Esther, professora da Escola de Comunicações e Artes, da USP.

Ernst também deixa os filhos Sônia, Vera, Fernando e Cao, cineasta, além de dois genros, uma nora e seis netos. O velório será em sua casa, na praça Monteiro Lobato, 163, Butantã, das 10h às 15h nesta quinta (5), e o enterro, no Cemitério do Morumbi às 16h30.



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