Segundo reportagem publicada pela Mídia Ninja, nesta sexta-feira (30), o Movimento Brasil Livre (MBL), grupo político criado em 2014, teria usado o aplicativo Voxer para ampliar o número de pessoas que recebem suas postagens no Facebook.


Do dia 16 a 24 de março, foi constatado que cerca de 400 usuários compartilharam postagens semelhantes com conteúdo do MBL. Eles teriam respondido a uma mensagem enviada aos seguidores pedindo autorização para o movimento fazer até duas publicações diárias diretamente no perfil, por meio do Voxer.


O aplicativo é um recurso que permite aumentar o número de usuários alcançados na rede social ao transformar uma publicação de uma página institucional em várias postagens de pessoas físicas. A empresa se autodenomina “a primeira plataforma de marketing político digital que fornece todas as ferramentas para transformar candidatos em eleitos”.



O aplicativo seria uma tentativa de burlar o novo algoritmo do Facebook anunciado por Mark Zuckerberg em janeiro deste ano. A mudança passou a privilegiar as publicações de amigos e familiares e a diminuir a exibição de posts de empresas e de veículos jornalísticos. A medida foi uma tentativa de barrar a propagação de fake news na internet.


O Facebook bloqueou o funcionamento da Voxer por violar os termos de uso determinados pela empresa. A informação não pode ser confirmada pelo R7


O R7 também tentou entrar em contato por telefone com Kim Kataguiri e com Renan dos Santos, coordenadores do MBL, mas nenhuma ligação foi atendida. O também coordenador Ian Novissimo disse que não poderia responder sobre as atividades nas redes sociais por não atuar diretamente na área. Foi solicitado um posicionamento por email, mas até o encerramento desta matéria não houve respota.


A página na internet do Voxer está fora do ar por causa do grande volume de acessos desde a publicação da reportagem. Também não possível entrar em contato com os diretores da empresa Neto Barni e Marcello Natale. 


Facebook e a privacidade


A rede social está sofrendo pressão para garantir a privacidade dos dados fornecidos pelos usuários. Há duas semanas, um ex-funcionário da consultoria britânica Cambridge Analytica denunciou que dados do Facebook foram recolhidos de forma irregular em 2014. Essas informações alimentaram um banco de dados para direcionar anúncios e postagens na internet. Os conteúdos teriam beneficiados Donald Trump na eleição presidencial de 2016.


Assim como no caso do MBL, foi usado um aplicativo dentro da rede social e para acessar os dados pessoais dos perfis. Depois que 270 mil pessoas concordaram com os termos de uso, foram obtidos os dados de 50 milhões de perfis.


A empresa perdeu credibilidade entre usuários e investidores desde a publicação da notícia. As ações caíram e iniciou-se um movimento para que perfis fossem deletados. O CEO da empresa tenta recuperar a imagem com pedidos de desculpas e anúncios de mudanças na estrutura da plataforma.



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