​O crânio de Luzia, conhecida como a mulher mais antiga das Américas, pode ter sido uma das vítimas do incêndio no Museu Nacional/UFRJ, na noite deste domingo (2).

Descoberta nos anos 1970, calculava-se que o fóssil tinha mais de 11 mil anos. Trata-se de um dos fósseis encontrados na Lapa Vermelha, região de Lagoa Santa, em Minas Gerais.​

Uma reconstrução do provável rosto da garota foi feita em 1999 pelo antropólogo britânico Richard Neave.

Na mesma região da descoberta de Luzia, foram descobertos 50 sepultamentos com práticas funerárias complexas. 

Além de Luzia, as coleções presentes no museu também preocupam pesquisadores. Claudia Russo, professora do Instituto de Biologia UFRJ, não trabalhava no Museu Nacional, mas afirma que costumava frequentar o local para pesquisa.

Ela destaca as coleções de vertebrados e invertebrados no local. Os cientistas usam a coleção para estudar os padrões de diversidade das espécies. “Um pesquisador, quando está na dúvida se a espécie em estudo é a X ou Y, vai até os museus verificar.”

Segundo a pesquisadora, o museu tinha uma das maiores coleções do país, junto à USP. “A perda dessas coleções, principalmente de invertebrados que estavam no palácio…É irreparável, um valor inestimável. Não tem como colocar um seguro e receber de volta esse valor”, diz Russo.

A pesquisadora também destaca as múmias presentes no museu. “Tinha preguiça gigante maravilhosa ali na escadaria principal. Não vai ter outra, outro fóssil desse não tem”, diz com a voz embargada.​

Guilherme Renzo Rocha Brito, professor-adjunto na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e colaborador do Setor de Ornitologia do Museu, afirma que o palacete vítima do incêndio guardava as coleções de invertebrados, insetos, paleontologia, mineralogia, antropologia, além das áreas de egiptologia e exposição pública.

A área de vertebrados, botânica e biblioteca ficam em outro prédio, também na Quinta da Boa Vista. Por esse fato, o pesquisador diz acreditar que talvez essas coleções sejam preservadas. 

O fogo começou depois que o local já havia encerrado a visitação —tanto do museu quanto do zoológico que também fica na Quinta da Boa Vista. Ainda não há informações sobre vítimas. 

Mais antigo do país, o Museu Nacional é subordinado à UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e vem passando por dificuldades geradas pelo corte no orçamento para a sua manutenção. Desde 2014, a instituição não vinha recebendo a verba de R$ 520 mil anuais que bancam sua manutenção e apresentava sinais visíveis de má conservação, como pareces descascadas e fios elétricos expostos.

A instituição está instalada em um palacete imperial e completou em junho 200 anos —foi fundada por d. João 6º em 6 de junho de 1818. Seu acervo, com mais de 20 milhões de itens, tem perfil acadêmico e científico, com coleções focadas em paleontologia, antropologia e etnologia biológica, entre outras. Menos de 1%, porém, estava exposto.

O museu guardava o meteorito do Bendegó, o maior já encontrado no país, e uma coleção de múmias egípcias. Além de coleções de vasos gregos e etruscos (povo que viveu na Etrúria, na península Itálica), e o primeiro dinossauro de grande porte já montado no Brasil.



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