Em espanhol, estatística diz-se “estadística”, o que ajuda a lembrar que se trata da “ciência de governar”, dedicada a todas as questões de interesse do estado. Seria de se esperar que fosse ciência antiga, mas remonta apenas ao século 17.

Ela foi inaugurada por John Graunt, comerciante de Londres, por meio de seu livrinho “Observações naturais e políticas sobre as listas de mortalidade”. Foi a primeira tentativa, bastante simples, de analisar fenômenos biológicos e sociais a partir de dados numéricos.

Graunt nasceu em 1620. Seu pai tinha um armarinho, vendia agulhas e botões. O filho juntou-se ao negócio, com sucesso, o que lhe permitiu dedicar parte do seu tempo a interesses intelectuais pouco comuns a um pequeno comerciante. Segundo o biógrafo John Aubrey, “era pessoa dedicada e trabalhadora, que acordava cedo para realizar seus estudos antes de abrir a loja”.

Nas “Observações” analisou as tabelas de nascimentos e mortes em Londres, divulgadas semanalmente pelas 122 paróquias da capital. Graunt começa por indagar por que se publicam tais informações, com indicação das causas de morte. “A razão que me parece mais óbvia é para que o estado de saúde da cidade possa ser conhecido a todo o momento”, responde, com notável senso comum.

Observa que há mais funerais de homens do que mulheres. “A razão de ser disso não tentaremos conjecturar, apenas desejamos que viajantes indaguem se o mesmo acontece em outros países”.

Pondera que “a arte de governar, e a verdadeira política, é manter os cidadãos em paz e prósperos”, concluindo que o conhecimento da saúde da população “é necessário para um governo bom e confiável, que equilibre os partidos e facções, tanto na Igreja quanto no estado”.

O rei, Charles II, ficou tão impressionado com as “Observações” que recomendou que Graunt fosse eleito membro da Royal Society, a recém-formada academia de ciências da Inglaterra. Prevendo resistências, por tratar-se de um mero dono de loja, orientou explicitamente que, caso encontrassem outros comerciantes de tal valor, todos fossem igualmente escolhidos.

John Graunt entrou na Royal Society em 1662. Morreria em Londres doze anos depois, “lamentado por todos os homens bons que tiveram a felicidade de conhecê-lo”, escreveu Aubrey.



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