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Compreender melhor o relgio biolgico das plantas, administrar remdios por meio de nanoestruturas, fazer computadores qunticos pensarem e aprenderem. Essas so algumas das ideias selecionadas pelo Instituto Serrapilheira, primeira instituio privada de fomento pesquisa no Brasil, para serem financiadas.

Os 65 projetos escolhidos sero anunciados nesta quinta-feira (21). “Estamos muito satisfeitos com o resultado, pois conseguimos reunir um grupo de pesquisadores de excelncia com projetos excepcionais”, diz o geneticista francs Hugo Aguilaniu, diretor do Serrapilheira.

Competiram quase 2.000 projetos de jovens pesquisadores brasileiros –s podiam participar cientistas que tivessem terminado o doutorado h, no mximo, dez anos.

A primeira etapa, realizada de forma annima, eliminou cerca de 90% das propostas, explica Aguilaniu. Os 200 projetos restantes passaram por uma nova avaliao, feita por revisores nacionais e internacionais. At um prmio Nobel de Fsica –cujo nome Aguilaniu no revela– participou do processo.

Os cientistas cujas propostas foram escolhidas recebero at R$ 100 mil para, durante 2018, demonstrarem a viabilidade de suas ideias. Aps esse perodo, uma nova seleo indicar de 10 a 12 projetos, que sero contemplados com at R$ 1 milho para serem gastos em 3 anos.

Segundo o diretor do Serrapilheira, um critrio de seleo importante foi que os projetos no poderiam propor apenas avanos incrementais. “Buscamos as propostas mais ousadas. Sabemos que esse tipo de aposta contm um risco, mas as grandes descobertas quase sempre vm de perguntas audaciosas, de fora da caixa.”

Aguilaniu elenca algumas que sero financiadas pelo instituto: como as mudanas climticas vo afetar a qualidade e a disponibilidade da gua em aquferos? Qual a conexo entre buracos negros e a produo de raios csmicos de alta energia? A diversidade de vrus pode ajudar a prever o tamanho de uma epidemia de gripe?

RELGIO DE PLANTAS

Outra dessas perguntas foi proposta por Carlos Hotta, 38, pesquisador do Instituto de Qumica da USP, que estuda o relgio biolgico das plantas. Esse mecanismo permite a elas medir a passagem do tempo e, assim, prever e antecipar eventos regulares, como o amanhecer –preparando sua maquinaria interna para realizar a fotossntese.

Sabe-se que algumas espcies, como tomate, trigo e cevada, sofreram alteraes do relgio biolgico durante o processo de domesticao que resultaram em melhorias agronmicas. “Minha proposta entender se alteraes semelhantes ocorreram tambm com a cana de acar”, diz.

Para isso o pesquisador utilizar uma coleo pertencente UFSCar de Araras, que contm desde exemplares modernos at espcies ancestrais, utilizadas no Brasil Colnia. Os resultados podem no s acelerar o melhoramento gentico da cana como ser estendido para outros cultivares, explica Hotta.

O pesquisador pretende utilizar parte do dinheiro na compra de reagentes necessrios para suas anlises e parte para promover vdeos e podcasts de divulgao cientfica.

NANOESTRUTURAS

Do macro para o micro, ou melhor, para o nano. nessa escala, equivalente a um bilionsimo de metro, que Giovannia Pereira, 41, realiza a sua pesquisa acadmica.

A professora da Universidade Federal de Pernambuco, tambm contemplada com o financiamento do Serrapilheira, trabalha com nanoestruturas conhecidos com pontos qunticos (ou “quantum dots”, em ingls), sistemas que, ao serem excitados, emitem luz que vai da regio do visvel at a do infravermelho.

“Devido a isso, elas podem funcionar como sondas fluorescentes para identificao ou estudo de rotas metablicos associados a certas doenas”, diz. O problema que as nanoestruturas estudadas at o momento utilizam em sua constituio metais pesados, como o cadmio, o que limita o uso desses materiais “in vivo”.

“Nossa proposta substituir esses materiais por outros, como prata e cobre, que permitam a produo de sistemas biocompatveis, ou seja, com a menor toxicidade possvel, porm sem comprometer as propriedades intrnsecas desses nanomateriais”, explica Pereira.

Segundo a pesquisadora, que tem doutorado pela Universidade de Coimbra, em Portugal, uma das possveis aplicaes de seu projeto utilizar essas nanoestruturas como veculos para frmacos ou para terapias mais precisas contra o cncer.

Pereira conta que, apesar de ter feito seu doutorado fora, voltou para o Brasil na primeira oportunidade que teve, “para retribuir o investimento recebido aqui”. Entretanto, afirma, “fazer cincia no Brasil e principalmente no Nordeste um desafio dirio.”

colaborou PHILLIPPE WATANABE

IDEIAS PREMIADASConhe



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