Em 2016, a realidade aumentada entrou para o imaginário popular com o jogo Pokemon Go. É a tecnologia que permite sobrepor imagens e interações virtuais ao ambiente ao redor do usuário, usando uma câmera.

Dois anos depois, o Pikachu cedeu lugar a um manual de instruções de como consertar um elevador, e quem está empolgado não são adolescentes correndo pelas ruas, e sim empresários em busca de corte de custos e eficiência em processos industriais.

Segundo um estudo da empresa de software PTC, o mercado de realidade aumentada (AR, na sigla em inglês) movimentou US$ 2 bilhões em 2017 (cerca de R$ 3,5 bilhões).

A estimativa para 2018 é US$ 7 bi (R$ 25 bi), e para 2021, US$ 63 bi (R$ 222 bi).

Os setores na vanguarda são os de produtos industriais, software e automóveis. Na publicidade, a transição é mais lenta. Uma pesquisa da consultoria BCG que ouviu 200 anunciantes nos Estados Unidos mostrou que 90% planejam usar a tecnologia em suas campanhas, mas só 10% já a incorporaram de fato.

“Há cinco anos, já havia teste piloto de AR nas fábricas. Hoje, tem aplicações concretas, inclusive no Brasil, apesar de a adoção não ser enorme”, diz Julien Imbert, sócio do BCG.

A AR demorou para se popularizar porque se baseia em aprendizado de máquina. É preciso um grande volume de imagens para treinar os algoritmos a identificar padrões, o que beneficia o Facebook e a Microsoft, que têm exércitos de dados à sua disposição.

Na conferência do Facebook, a F8, em maio, a realidade aumentada no Messenger e no Instagram foi destaque.

Apesar de a aplicação prática ser um efeito de orelhas de cachorro ou de gatinho nas “stories”, isso significa que a inteligência artificial da empresa está aprendendo com base nas postagens, o que é útil para outros fins, inclusive para direcionar anúncios.

Isso significa que mesmo os usos mais fúteis da análise de imagens e vídeos treinam os músculos de inteligência artificial das empresas.

A Apple deve anunciar um novo pacote de realidade aumentada para seus celulares ainda nesta semana, segundo a agência Bloomberg.

Mas a gigante que mais vem se beneficiando diretamente da realidade aumentada é a Microsoft. Seu produto é o Hololens, um óculos com uma estética de capacete industrial que já é adotado por empresas como a alemã Thyssenkrupp, de elevadores.

“Podemos resolver um problema em um elevador do México aqui do Brasil”, diz Paulo Manfroi, vice-presidente de serviços da Thyssenkrupp na América Latina. O técnico enxerga as informações sobrepostas enquanto conserta ou faz manutenção na máquina.

A Tetra Pak, que vende equipamentos de processamento e envase de bebidas, também faz manutenção à distância com os óculos da Microsoft desde abril do ano passado.

“Vimos que conseguíamos conectar pessoas que têm conhecimento técnico com as que trabalham na linha de frente”, diz Edison Kubo, diretor de desenvolvimento de novos negócios da Tetra Pak.

São mais de 5.000 máquinas no Brasil que recebem essa assistência remota quando quebram. “O leite não pode ficar armazenado no tanque por mais de 48h, então quando uma máquina fica parada, há muito desperdício.”



DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here