A companhia de Mark Zuckerberg mantinha acordos, fechados há mais de 10 anos, com essas empresas para que criassem aplicativos do Facebook integrassem funções da rede social a seus sistemas operacionais. As informações foram cedidas por meio de pacotes privados dos kits de desenvolvimento, os chamados APIs.

Segundo o jornal, o nível de acesso dado às fabricantes poderia infringir a legislação que protege a privacidade nos Estados Unidos, da Comissão Federal do Comércio (FTC). O Facebook não nega que os acordos existiam, mas diz que foram feitos dentro do que permitia a regulamentação.

“Esses parceiros assinavam acordos de que impedia informações pessoais de usuários do Facebook serem usadas com qualquer propósito além de recriar experiências similares às do Facebook”, afirmou Ime Archibong, vice-presidente de parcerias de produtos do Facebook, em nota.

A reportagem do NYT, no entanto, mostra o alcance do conjunto de dados fornecidos a fabricantes de smartphones. O jornal usou uma conta de Facebook para entrar no diretório de software do BlackBerry. A partir daí, o programa da fabricante canadense recuperou dados como status de relacionamento, preferências religiosas e políticas do repórter e de seus 556 amigos na rede social. Também exibiu informações de identificação de quase 300 mil amigos dos amigos do repórter.

Para o Facebook, os acordos eram a única forma de seu aplicativo funcionar no passado.

“No início do mundo móvel, a demanda pelo Facebook ultrapassava nossa habilidade de construir versões do produto que funcionassem em todo celular ou sistema operacional. É difícil de lembrar como, mas antigamente não havia lojas de aplicativos. Então, companhias como Facebook, Google, Twitter e YouTube tinha que trabalhar diretamente com sistemas operacionais e fabricantes de dispositivos para fazer os produtos deles às mãos das pessoas”, afirma o vice-presidente de parcerias de produtos do Facebook.

“Para fechar essa lacuna, nós construímos um conjunto de kits de desenvolvimento para serem integrados ao dispositivos que permitissem às companhias recriarem experiências como as do Facebook para seus aparelhos ou sistemas operacionais.”

O executivo afirmou ainda que esse tipo de permissão era muito diferente daquela dada a criadores de aplicações para a rede social, que foi explorada pela consultoria política Cambridge Analytica e gerou o mais recente escândalo do Facebook.

A firma, contratada pela campanha presidencial de Donald Trump, usou um teste distribuído pela rede social para coletar dados de mais de 87 milhões de pessoas. Com essas informações, construiu algoritmos capazes de prever a posição política desses usuários com o objetivo de orientá-los em determinada direção.



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