Três meses após o início das investigações envolvendo o uso de dados pessoais de 87 milhões de usuários pelo Facebook e pela Cambridge Analytics, a rede social norte- americana ainda não conseguiu rastrear o que foi feito com os dados dos aplicativos que capturavam informações dos usuários da rede.  

De acordo com reportagem do The Wall Street Journal, a  companhia ainda  está vasculhando seu sistema para localizar os desenvolvedores por trás desses aplicativos e descobrir o que foi feito com as informações coletadas entre 2007 e 2015 — quando a empresa cortou oficialmente o acesso a dados.

Segundo o jornal The Wall Street Journal, muitas das empresas por trás desses aplicativos existem mais e a rede não consegue mais contato com seus antigos proprietários ou desenvolvedores para saber como os programas foram desenvolvidos, como os milhares de dados foram coletados e o que foi feito deles.

Nos casos em que o Facebook descobre que os dados não foram usados corretamente, eles interrogam as responsáveis pelos aplicativos que coletaram os dados. 

A rede não tem autoridade legal para forçar os desenvolvedores a falar.

Vice-presidente de parcerias de produtos do Facebook, Ime Archibong afirmou ao The Wall Street Journal que a maioria dos desenvolvedores tem sido receptiva aos questionamentos, mas tem notado que o processo interno até chegar a eles requer um trabalho de detetive. “Eles precisam pensar e lembrar como os aplicativos foram construídos”, afirmou ao jornal.

Em maio, de acordo com  o Facebook, 200 aplicativos foram suspensos porque poderiam violar as regras. Segundo o The Wall Street Journal, Archibong não deu mais detalhes sobre as investigações nem disse quais os nomes desses apps.

“Eles não podem obrigar esses desenvolvedores a entregar informações”, disse Ian Bogost, professor do Instituto de Tecnologia da Geórgia, ao The Walll Street Journal. “Esta não é uma investigação federal sobre um crime ou algo assim. É uma empresa privada. Quais são as consequências?”.


Em entrevista ao The Wall Street Journal, o professor, que também já desenvolveu jogos para o Facebook, disse que nunca foi procurado pela rede (seu aplicativo tem mais de 180 mil inscritos).  


Segundo desenvolvedores, ex-funcionários do Facebook e acadêmicos ouvidos pelo The Wall Street Journal é difícil para o Facebook rastrear todos os dados de usuários tragados pelos desenvolvedores, em grande parte devido à maneira como a plataforma foi projetada. O sistema feito em 2007 permitia aos desenvolvedores usarem os dados dos usuários do Facebook. O acesso às informações ficou mais restrito em 2014. 

Ao jornal, Archibong afirmou que “99,9999999% são corretos e a empresa não quer afungentá-los da plataforma”.



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