Rio de Janeiro

O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, apresentou na Game XP, neste domingo (9), no Rio, dados do 2° Censo da Indústria Brasileira de Jogos Digitais. A pesquisa serviu de base para criação de uma política pública para o setor de games.

Segundo o Censo, as indústrias do segmento estão presentes em todas as regiões do país, com maior concentração em São Paulo e no Rio de Janeiro (41,6%). O país produziu neste ano 946 jogos, entre eles de entretenimento e educativos, e 43% deles para dispositivos móveis. Os dados mostram que o número de empresas do cenário cresceu 182% em quatro anos.

Uma pesquisa da NewZoo, empresa internacional do setor de games, apontou que o Brasil tem 2,3 milhões de jogadores. O faturamento da indústria de jogos no país em 2017 foi de US$ 121,7 bi (R$ 504,5 bi), o triplo da indústria do cinema e sete vezes mais do que a da música.

Durante a apresentação, o ministro informou que o Brasil é o 13° mercado do mundo e, em número de consumidores, o terceiro. Para Leitão, os dados representam um horizonte muito promissor para o país. ​

“O Brasil está demonstrando grande vocação [para a área]. Mesmo sem ter política pública, mesmo sem ter nenhum tipo de ajuda mais sistemática, o setor começou a se estruturar e aumentou muito nos últimos anos a sua maturidade”, diz.

Por causa dos resultados da pesquisa, em outubro, o Ministério pretende lançar uma política nacional de games com o objetivo de fomentar o crescimento dessa indústria. Segundo ele,  R$ 100 milhões serão investidos em linhas estratégicas de desenvolvimento e produção de jogos, desenvolvimento e produção de conteúdo em realidade virtual e realidade aumentada, lançamento de jogos, aceleração de empresas, além de mostras e festivais, infraestrutura e tecnologia, e formação e capacitação.

Para colocar o projeto em ação, será criado um grupo de trabalho sobre políticas de fomento aos games no CSC (Conselho Superior de Cinema). O projeto foi relacionado ao CSC, porque jogos são considerados produtos audiovisuais, segundo explicou o ministro.

Ainda de acordo com ele, a política é importante por conta do crescimento do mercado no país e para a geração de empregos para os jovens. “O mercado de jogos seria uma alternativa criativa e atraente para aqueles entre 18 e 24 anos que se encontram desempregados.”

Outro ponto que o projeto pretende abordar é a questão de da diversidade. Segundo o Censo, mulheres representam apenas 20,7% dos trabalhadores da indústria digital. O ministro afirma que haverá esforço do projeto para atingir uma maior equidade de gênero. “Os games começaram como uma atividade mais masculina do que feminina e isso é uma questão cultural, mas não quer dizer que a gente tenha que se conformar.”

Em editais passados para fomento da indústria de jogos, já foi feita uma política para induzir uma maior diversidade no setor. “Determinamos que 50% dos projetos premiados devem ser de mulheres, 25% devem ser de negros e indígenas, 50% devem ser de iniciantes e tem também o recorte regional. Então, 30% têm que ser do Norte, Nordeste e Centro-Oeste”, explicou Leitão. 

Para o ministro, a diversidade e a multidisciplinaridade são importantes. “A indústria de games é heterogênea e miscigenada por natureza, porque ela lida com elementos de linguagens de várias outras atividades. Quanto mais diversificadas forem as referências e os elementos, melhor.”

*A reportagem viajou a convite do evento



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