A Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC, sigla em inglês) confirmou nesta segunda-feira (26) que investiga o Facebook pela obtenção de dados de mais de 50 milhões de usuários pela empresa de consultoria política Cambridge Analytica.

O diretor interino da FTC, Tom Pahl, destacou que a agência se compromete a usar “todas as suas ferramentas” para proteger a privacidade dos consumidores e que a primeira delas é a “ação coercitiva” contra companhias que não cumprem as suas promessas nesse âmbito ou que infringem as leis.

Os Estados Unidos não possuem uma lei de proteção de dados nos moldes da União Europeia. Pahl explicou que o papel da FTC é atuar contra empresas que não cumprem o acordo “Escudo de Privacidade” (“Privacy Shield”), que regula transferências de dados entre a UE e EUA, e contra as que empreendem “atos injustos” que prejudicam os consumidores.

Em 2011, o Facebook firmou um acordo com o governo dos EUA por meio da FTC. A empresa se comprometeu a solicitar o consentimento dos seus usuários antes de fazer determinadas mudanças nas preferências de privacidade. Na ocasião, havia a acusação de que a empresa abusava dos consumidores ao compartilhar informações com outras empresas.

Segundo a rede de TV CNBC, quebrar esse acordo poderia render à rede social uma multa de US$ 40 mil por violação.

Em 17 de março, os jornais “New York Times” e “Guardian” revelaram que os dados de mais de 50 milhões de usuários do Facebook foram usados sem o consentimento deles pela Cambridge Analytica. A empresa de análise de dados acessou esse grande volume de dados após um teste psicológico que circula na rede social coletar as informações. Os dados recolhidos não eram apenas os de usuários que fizeram o teste, mas também os de seus amigos.

O escândalo cria dúvidas quanto à transparência e à proteção de dados dos usuários do Facebook. A rede social comunicou que investigaria o caso. O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, reconheceu que a emprese cometeu erros.

A empresa Cambridge Analytica trabalhou ainda com a equipe responsável pela campanha de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos, nas eleições de 2016. Também foi contratada pelo grupo que promovia a saída do Reino Unido da União Europeia.

Nesta sexta-feira (23), uma revista na sede da Cambridge Analytica durou cerca de sete horas. A batida foi do órgão regulador encarregado da proteção de dados privados na Grã-Bretanha. Nos Estados Unidos, usuários estão processando o Facebook e a Cambridge Analytica.

O Ministério Público do Distrito Federal comunicou na terça-feira passada (20) que abriu um inquérito para apurar se o Facebook compartilhou dados de usuários brasileiros com a Cambridge Analytica. O ex-sócio da Cambridge Analytica no Brasil disse que a empresa não tinha banco de dados de brasileiros.

O escândalo que envolve o Facebook foi prejudicial para os ativos da empresa na Bolsa de Valores. Os papéis da empresa chegaram a cair 9,15%. A empresa perdeu mais de US$ 50 bilhões em valor de mercado em apenas dois dias.

*com informações da EFE



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