Com 8,5 toneladas, a estação espacial chinesa Tiangong-1, lançada em 2011, chegará em breve à Terra como uma bola de fogo capaz de espalhar detritos por milhares de quilômetros. A previsão da Agência Espacial Europeia (ESA), segundo o jornal britânico The Guardian, é que a colisão aconteça entre 27 de março e 8 de abril.

A agência espacial chinesa perdeu o controle da Tiangong-1 em 2016, cinco anos depois de seu lançamento. Rastreada por agências espaciais de todo o mundo, a espaçonave está a uma altitude aproximada de 241 quilômetros e dando voltas em torno da terra a uma velocidade média de 28.968 km/h.

A posição da órbita da Tiangong-1 indica a possibilidade de a queda acontecer em vastos trechos da América do Norte e do Sul, China, Oriente Médio, África, Austrália, partes da Europa —e grandes faixas do Oceanos do Pacífico e do Atlântico.

Não se sabe, no entanto, quais as probabilidades de a nave espacial sobreviver à colisão com a Terra, já que a China não divulgou detalhes sobre os materiais usados para a construção da Tiangong-1. Mas, segundo especialistas, a espaçonave pode ter tanques de combustível de titânio com hidrazina —um produto químico altamente tóxico—, que pode representar um perigo se aterrissarem em áreas povoadas.

“Para fazer qualquer declaração sensata sobre o que sobreviverá, precisamos saber o que está por dentro da nave espacial”, disse o analista de resíduos espaciais da ESA Stijn Lemmens em entrevista ao The Guardian. “Mas a agência espacial chinesa é a única que sabe o que está a bordo da Tiangong-1, bem como do que ela é feita.”

Vale ressaltar que a Tiangong-1 é muito menor do que a Estação Espacial Internacional, que é do tamanho de um campo de futebol e pesa mais de 400 toneladas. A espaçonave chinesa tem apenas 10 metros de comprimento e 3 metros de largura. A titulo de comparação, em 2015, uma nave russa um pouco menor do que a Tiangong-1 (7,5 toneladas), que estava a caminho da ISS, caiu de volta à Terra, queimou-se sobre o Pacífico e apenas pequenos pedaços sobreviveram à colisão.

As chances de colisões como essas ferirem alguém a partir dos seus detritos, de acordo com as avaliações de riscos, é de uma em 10 mil.

Em geral, os cientistas adotam uma reentrada controlada para dirigir a nave espacial a uma área do Pacífico Sul conhecida como cemitério das naves espaciais. Mas não se sabe se a agência espacial chinesa adotou esse processo.

De qualquer forma, considerando a composição da Terra (70% coberta por oceanos), as chances são altas de que a Tiangong-1 caia em alto mar e nem seja vista.



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