O fundador e CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, passou mais de cinco horas respondendo perguntas de um comitê de 44 senadores no Congresso dos Estados Unidos nesta terça-feira (10), por causa do escândalo do vazamento dos dados de mais de 87 milhões de usuários.


A sessão conjunta das comissões de Justiça e de Comércio do Senado deu a cada senador apenas cinco minutos para questionar Zuckerberg, o que fez com que muitas perguntas não fossem respondidas e outras, deixadas para serem respondidas por escrito.


Ele negou diversas vezes que sua empresa venda dados dos usuários, pediu desculpas por falhas passadas e disse que vai incrementar a segurança de sua rede social.


Mudanças


No início da sessão, o CEO do Facebook destacou que, com o passar dos anos, foi obrigado a mudar as visões da empresa sobre segurança. Ele afirmou que no início, se preocupava apenas em fornecer ferramentas para os usuários se conectarem e que só com os problemas foi percebendo que supervisionar o bom uso dessas ferramentas era essencial.


“Agora está claro que nós não fizemos o suficiente para evitar que essas ferramentas também fossem mal utilizadas. Isso vale para ‘fake news’, interferência estrangeira em eleições e discursos de ódio, assim como privacidade dos dados e a relação com os desenvolvedores”, Zuckerberg afirmou, lendo uma declaração que já havia sido divulgada na segunda-feira.


Cambridge Analytica


Sobre o escândalo envolvendo o uso dos dados privativos de 87 milhões de usuários do Facebook pela consultoria britânica Cambridge Analytica, Zuckerberg disse que a empresa errou ao não auditar a destruição das informações.


“Soubemos em 2015 que a Cambridge comprou dados do desenvolvedor. Derrubamos o aplicativo e exigimos que apagassem os dados. Só que não fizemos uma auditoria completa e esse foi nosso erro. Quando nos contaram que tinham apagado os dados, acreditamos que o caso estava encerrado e, por isso, não notificamos os usuários”, contou.



Quando questionado sobre a interferência externa nas eleições dos Estados Unidos em 2016, ele disse que seu maior arrependimento foi “não ter identificado as ameaças russas de interferência, achávamos que eles usariam outras ferramentas cibernéticas. Este ano, temos eleições importantes pelo mundo, como no México e no Brasil, então estamos aprimorando nossas ferramentas”, disse.


Termos de uso


Durante a audiência, o questionamento mais duro feito a Zuckerberg veio do senador republicano John Kennedy, da Louisiana. Ao contestar o empresário sobre os termos de uso do Facebook, ele afirmou que “seus termos são uma porcaria” e que ele deveria voltar para casa e reescrevê-los.


O CEO do Facebook também revelou que não conhecia uma alteração nos termos de uso do aplicativo ‘This Is Your Digital Life’, que permitia que os dados coletados pelo programa, desenvolvido pelo russo Aleksandr Kogan, fossem vendidos a empresas como a Cambridge Analytica.


Viés político


Na audiência, Zuckerberg foi questionado pelo senador Ted Cruz sobre supostas práticas de censura a temas considerados conservadores dentro do Facebook. E disse que em breve terá mais de 20 mil funcionários supervisionando a disseminação de discursos de ódio em sua plataforma.



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