Um novo estudo pode mudar a imagem dos dinossauros: os bichos não conseguiam colocar a língua para fora, como lagartos. Ela ficava presa à base da boca, de forma semelhante ao que ocorre em aligátores.

A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade do Texas, em Austin, e da Academia Chinesa de Ciências, e publicada nesta quarta (20) no periódico Plos One. 

“As línguas geralmente são ignoradas, mas elas oferecem informações importantes sobre o estilo de vida dos animais extintos”, diz a autora líder do estudo Zhiheng Li, pesquisadora da Academia Chinesa de Ciências.

Os cientistas compararam os ossos hioides —que sustentam a língua— de aves e aligátores modernos com os dos dinossauros, de extintos aligátores e de pterossauros. Nos pássaros, esses ossos podem se estender.

Como os dinossauros guardam parentesco com crocodilos, pterossauros e com aves modernas, a comparação anatômica pode ajudar a entender os processos evolutivos.

Os pesquisadores coletaram imagens em alta resolução dos músculos e ossos hioides de quinze espécies modernas —três de aligátores e 13 de aves, desde avestruzes até patos.

Já os fósseis —de pterossauros e até do famoso Tyrannosaurus rex— analisados eram predominantemente da região nordeste da China.

A pesquisa demonstrou que os ossos hioides dos dinossauros eram pequenos, simples e conectados a uma língua sem muita mobilidade, assim como ocorre nos aligátores e crocodilos. 

“As representações foram construídas de forma errada”, diz Julia Clarke, coatuora do estudo e pesquisadora da Universidade do Texas, sobre os dinossauros com a língua para fora da boca.

A maior parte dos dinos tinha ossos hioides muito curtos e, em crocodilianos com ossos similares, a língua é fixada à base da boca.

Clarke já foi responsável por outra mudança na visão que se costumava ter sobre os dinossauros. Em 2016, um estudo de sua autoria demonstrou que a vocalização dos dinos era parecida à de crocodilos e avestruzes.

Nos pterossauros, nos dinossauros parecidos com aves e nas aves modernas foi encontrada maior variedade de ossos hioides.

Segundo os cientistas, as diferentes formas desses ossos poderia estar relacionada à habilidade de voar — avestruzes e emus, casos de aves que não voam, teriam evoluído de ancestrais que voavam. 

Voar também está relacionado a diferentes formas de alimentação, o que pode estar ligado à diversidade e mobilidade das línguas da aves. 

“As aves usam suas línguas de modos formidáveis”, diz Clarke. Uma das hipóteses levantadas pelo estudo, diz Li, é que se você não pode usar uma mão para manipular presas, a língua ganha maior importância para essa ação.



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