Como na internet, quem vê cara pode não encontrar um coração, um grupo de ativistas criou uma ferramenta para identificar perfis de redes sociais alimentados por robôs na web, os chamados “bots”, programas de computador que se comportam como gente de carne e osso mas são criados para interferir em debates online com propósitos políticos ou comerciais.

“O principal objetivo da plataforma é informar as pessoas sobre com quem elas estão discutindo nas redes sociais”, diz o argentino Ariel Kogan, diretor do Instituto Tecnologia & Equidade, que criou o recurso ao lado do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS).

Lançado no começo de abril, o caçador de robôs se chama Pegabot e surge em um momento em que as redes sociais estão no centro das atenções por terem ganhado relevância como disseminador de informações, ao mesmo tempo que não conseguem controlar a onda de notícias falsas.

Para flagrar robôs em ação, o Pegabot faz uma análise do comportamento da conta. Os critérios avaliados são:

O Pegabot não é taxativo ao dizer se há um bot ou um ser humano por traz de um perfil. Ele oferece uma nota, que varia de 0 a 100. “A partir de 80%, 85% para um lado ou para outro tem uma grande probabilidade de ser humano ou robô”, diz Kogan. Ele ressalta, no entanto, que o algoritmo que sustenta o funcionamento do Pegabot ainda está sendo refinado. Por isso, pode haver desencontros. “A gente está calibrando o algoritmo, para estar o mais pronto possível para o período eleitoral.”

Idealizado há oito meses, o Pegabot é fruto do trabalho de uma equipe de até 15 desenvolvedores dos dois institutos e do AppCivico, empresa que cria ferramentas para conectar cidadãos e promover ações de cidadania.

Por ora, o Pegabot atua só no Twitter. Para descobrir se um perfil é automatizado ou não, basta copiar o endereço da conta e inseri-la no site da “caçador de bot” (veja aqui).

Exército de contas falsas

O microblog reconhece que a disseminação de contas falsas é um problema, mas calcula que perfis automatizados e destinados a espalhar conteúdo repetitivo não soma 5% de sua base de usuários.

Kogan diz que já conversa com Facebook para levar o Pegabot à rede social e também ao aplicativo de mensagens WhatsApp. O site de Mark Zuckerberg estima que, entre os 2,1 bilhões de usuários, a população de contas falsas seja de 3% a 4%.



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