A nove dias do início da greve dos caminhoneiros, diversas mensagens e notícias falsas circularam na internet. O R7 ouviu três especialistas para explicar como não ser enganado por este tipo de conteúdo.


A coordenadora do laboratório de jornalismo da FAAP (Faculdade Armando Alvares Penteado), Edilamar Galvão, diz que o primeiro passo é desconfiar de todos os conteúdos que chegam por meio do WhatsApp.


Ela cita a pesquisa Monitor do Debate Político no Meio Digital, da USP, que aponta que os grupos familiares são os maiores difusores de notícias falsas.


Considerando o espaço digital fora do aplicativo de mensagens, Edilamar considera importante verificar em qual site o assunto foi publicado e que o usuário crie o hábito de acessar sites confiáveis. Para ela, “cada vez mais o público digital vai ter que se habituar a cruzar informação, a receber e ver onde mais saiu”. 


O professor da Faculdade Cásper Líbero e da USP (Universidade de São Paulo) Rafael Grohmann concorda que analisar as fontes de informação é essencial. “Checar e apurar não é uma coisa só de jornalista. A gente tem que fazer todos os dias”, afirma.


Grohmann também diz que é preciso inserir as mídias digitais nos conteúdos de escolas, “já que temos o pressuposto de que só vivemos com a mídia, temos que ter uma cultura escolar não só voltada a aprender o português, mas o letramento midiático”.


Na mesma linha de Grohmann, o professor da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) Luiz Peres afirma que os usuários precisam aprender a se informar pelos meios digitais para não acreditarem em notícias falsas. “Em um país onde não temos educação de base, é preciso dar instrumentos, capacitar. Os próprios consumidores das mídias digitais precisam ter capacidade de ler os conteúdos e saber diferenciar”.


Fake news e a greve dos caminhoneiros


Edilamar afirma que as fake news a respeito da greve dos caminhoneiros, em particular, geram uma atmosfera de medo e insegurança constantes.


“As notícias falsas promovem uma crise informacional que faz as pessoas não tenham a menor noção do que está acontecendo. Começa a entrar em um clima de pânico, a população acha vai ter uma profunda crise de abastecimento”.


Edilamar diz que o fato da greve ter começado por meio de redes socais como o WhatsApp aumenta a sensação da população de não entender o que está acontecendo. Edilamar explica que sempre há uma motivação ideológica por trás dos conteúdos falsos.


“É uma notícia que sempre tem um interesse ideológico que apela para aquilo que a gente chama pelo viés de confirmação, ou seja, o desejo de quem recebe de que aquilo seja verdade”, afirma Edilamar.


Luiz diz que a disseminação das notícias mostra a perda do “senso crítico por parte da população”. O professor afirma que a fake news “mistura os elementos reais ou questão ficcionais: ela puxa um fio da realidade e distorce”.


Edilamar diz que as notícias falsas não são novidade no mundo, mas a difusão por meio das mídias digitais são o que fazem com que o assunto seja constantemente revisitado.


Para ela, não é possível culpar o público de ser enganado com notícias falsas. “A paralisação aconteceu com uma rapidez e de forma tão inesperada, que as pessoas ficaram assustadas. Elas estão aptas a reagir muito rápido a qualquer informação, porque estamos no estado de pânico”.


A quantidade de conteúdos que o público recebe todos os dias também é uma questão que pode abrir espaço para a difusão das notícias falsas.


Para Grohmann, “um excesso de informação pode contribuir para a desinformação. Às vezes a pessoa lê a primeira linha e já vai descendo. Por exemplo, e-mails que a gente envia: às vezes tem mais de 5 linhas e a pessoa não lê”.



DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here