O biofísico Hugh Herr faz uma rápida dança esquisita com pulinhos no palco. Ele quer exibir os avanços de suas pernas com 24 sensores e seis microprocessadores. As próteses estão entre as mais avançadas já criadas e operam através de sinais neurais vindos do cérebro. É só pensar para se mexer. 

Mas Herr não está satisfeito. “Sou um homem biônico, não sou ainda um ciborgue”, disse o engenheiro de 53 anos, chefe do grupo de pesquisas em biomecatrônica do Laboratório de Mídia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT Media Lab).

“Quando toco ou movimento meus membros, não experimento de volta as sensações de mexer e saber onde o pé está sem olhar para ele […] Minhas pernas são ferramentas separadas do meu corpo”, disse no evento de conferências TED, em Vancouver.

Herr é também alpinista e teve as pernas amputadas com 17 anos após um acidente nas montanhas geladas de New Hampshire (EUA). Desde então, dedica-se a melhorar próteses de pernas e joelhos e é um dos líderes nessa indústria. Em sua palestra de 2014, ele trouxe ao palco uma bailarina que se apresentou pela primeira vez após ganhar uma prótese (ela perdera uma das pernas no ataque terrorista na maratona de Boston, um ano antes).

Neste ano, ele mostrou sua nova criação na pele de seu amigo de longa data e também alpinista Jim Ewing. O engenheiro mecânico de 54 anos teve seu pé amputado no ano passado com um método experimental criado no MIT chamado “interface mioneural agonista-antagonista” (AMI na sigla em inglês). 

A técnica consiste em conectar dois músculos para manter as interações responsáveis pelo controle do membro e sua propriocepção, nome dado à capacidade de perceber onde está cada parte do corpo. 

Quando a perna biônica se mexe, os músculos se movem para trás e para frente, mandando sinais pelos nervos para o cérebro e fazendo com que Ewing tenha sensações de posição e movimento. 

“O robô virou parte de mim na hora. Virou minha perna”, disse Ewing à Folha. “Minha sensação de membro fantasma aumentou bastante. Quando mexo meu pé fantasma na minha cabeça, tudo parece que continua lá de fato.”

Hugh Herr contou que seu grupo está criando designs para o corpo biológico se comunicar melhor com o corpo tecnológico. Ele prevê um futuro onde pessoas poderão ter um terceiro braço ou mesmo asas, como “super-heróis”.

O próximo passo é fazer com que a prótese de Ewing seja sensível ao toque, e testes já foram realizados com implantes sem fio instalados nos músculos. “Há alguns projetos de fora do MIT que queríamos testar, mas houve atrasos técnicos e ficamos com os eletrodos na superfície.” 

Faz alguns anos, laboratórios pelo mundo já exibem braços sintéticos com mãos capazes de transmitir sensações reais de toque ao cérebro. Em 2015, cientistas na Áustria mostraram uma prótese de perna com a sola do pé sensível, feita de sensores que estimulam nervos na base do membro amputado. O paciente podia sentir ao pisar em concreto, gelo ou grama. 

Por enquanto, Ewing está satisfeito. Ele também ganhou uma prótese para escaladas, o que o fez voltar às Ilhas Cayman em 2017 e subir a mesma montanha onde se acidentou. 



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