O cientista chinês que chocou o mundo ao afirmar que havia criado os primeiros bebês geneticamente modificados foi detido em uma pequena hospedaria universitária na cidade de Shenzhen, no sul do país, onde permanece sob guarda de uma dúzia de homens não identificados.

Jiankui He foi avistado nesta semana pela primeira vez desde que ele participou de uma conferência em Hong Kong no final de novembro e defendeu suas ações. Nas últimas semanas, houve rumores se He estava em prisão domiciliar. Sua universidade e o governo chinês, que colocou He sob investigação, não se pronunciaram sobre seu destino.

Ele agora mora em um apartamento no quarto andar de uma espécie de hospedagem para professores visitantes, no amplo campus da Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul, no distrito de Nanshan, em Shenzhen, onde muitas das companhias chinesas de tecnologia, como a Tencent, mantêm suas sedes.

Em novembro, He surpreendeu a comunidade científica global quando afirmou ter criado os primeiros bebês do mundo a partir de embriões geneticamente editados, implantados em uma mulher que deu à luz meninas gêmeas. Embora ele não tenha fornecido provas de que os bebês editados haviam de fato nascido, ele apresentou dados que sugeriam que ele havia feito o que afirmava.

Cientistas de todo o mundo disseram que He teria ido longe demais. Pesquisadores chineses disseram que o projeto era símbolo do intenso foco do país no progresso e do desprezo pelos padrões éticos.

Na última quarta (2) He foi visto andando de um lado para o outro na varanda na hospedaria, gesticulando no ar. Em outros momentos, ele podia ser visto conversando com uma mulher que parecia ser sua esposa, que carregava um bebê. As duas varandas que ladeavam ao seu apartamento eram cercadas por fios de metal.

Naquela noite, quatro homens não identificados ficaram de guarda do lado de fora do apartamento. Um deles perguntou: “Como você sabe que o professor He está aqui?”

Não ficou claro se os guardas eram afiliados à polícia, à universidade ou a outra organização. A polícia de Shenzhen não respondeu a um pedido por comentários enviados por fax, e a universidade não atendeu telefonemas.

Quando o vídeo de He em sua varanda foi mostrado a Liu Chaoyu, que cofundou a empresa de testes genéticos Vienomics com ele, Chaoyu confirmou que era seu colega.  Um membro da equipe do hotel também disse que era He que ocupava os quartos.

He tem permissão para fazer chamadas telefônicas e enviar emails. Chen Peng, outro cofundador da Vienomics, disse que falou com He há alguns dias sobre assuntos de negócios. “Ele está seguro”, disse Chen. “Mas eu não sei seu paradeiro exato ou em que estado ele está.”

A especulação sobre o paradeiro de He se espalhou depois que um jornal de Hong Kong disse que o cientista estava sob prisão domiciliar. A universidade negou, dizendo: “No momento nenhuma informação é acurada, apenas os canais oficiais o são”.

Os meios de comunicação nacionais da China, cumprindo uma diretriz oficial, foram silenciados sobre o assunto após uma série de relatos iniciais.

Na noite de quinta (3), He foi visto assistindo TV. Nesta sexta (4), uma dúzia de guardas estava bloqueando um corredor que dava acesso ao apartamento. Eles se recusaram a se identificar.

No departamento de biologia da universidade, homens também ocupavam o corredor que levava aos antigos escritórios de He, embora restassem vestígios de sua presença em volta do prédio: um adesivo anunciando seu nome estava preso a um armário vazio e sua foto e uma breve biografia estava em um quadro listando os membros do departamento.



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