Em junho do ano 2000, o então presidente dos EUA, Bill Clinton, organizou uma grandiosa coletiva de imprensa para celebrar a conclusão do Projeto Genoma Humano (na verdade, de seu rascunho; houve várias “atualizações” subsequentes da leitura do DNA da nossa espécie). Na época, Clinton apresentou o esforço como “o aprendizado da língua com a qual Deus criou a vida”.

Quase duas décadas depois, é difícil não enxergar tanta empolgação com ironia. Como escreve o biólogo e divulgador científico britânico Adam Rutherford em seu mais recente livro, “A Brief History of Everyone Who Ever Lived” (Uma Breve História de Todo Mundo Que Já Viveu”):

“Se essa era a linguagem de Deus, então um sacro editor teria sido uma enorme ajuda. Foi um evento grandiloquente e enorme, e suponho que certo exibicionismo presidencial fosse apropriado; talvez a ciência precise disso, de vez em quando, para fazer com que o público (que financia esse tipo de trabalho) fique empolgado e se sinta incluído. Mas o genoma não estava completo. De fato, estava quase comicamente incompleto.”

Não me entendam mal: foi um grande feito. Mas cada nova descoberta de lá para cá só serviu para mostrar como há complexidades, complicações e acidentes históricos no nosso genoma (e no de qualquer outra criatura conhecida). Cuidado editorial realmente não foi o forte do Senhor Deus quando ele resolveu mexer com DNA.

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