Já está ficando velha a notícia “astrônomos encontram asteroide que vai passar de raspão pela Terra”. Muito menos comum é a notícia “asteroide vai bater na Terra”. Mas aconteceu neste fim de semana.

Tudo começou na virada de sexta-feira para sábado (2), quando o Catalina Sky Survey, projeto de monitoramento de asteroides localizado no Arizona (EUA), descobriu um novo objeto próximo à Terra, catalogado com o nome 2018 LA. Era pequeno, com estimados 3 a 4 metros, mas com uma trajetória que o colocava em provável curso de colisão com a Terra.

Uma vez soado o alerta entre os astrônomos, a comunidade começou a trabalhar em suas projeções, que davam uma chance de 80% de entrada na atmosfera terrestre. A trajetória o colocava a caminho da Oceania, fazendo uma travessia por sobre a África. Previsão de impacto: 12h12 de sábado, com margem de erro de alguns minutos.

Foi por volta deste horário que o Mensageiro Sideral ficou sabendo do caso, alertado pelo astrônomo Cristóvão Jacques, que lidera o principal projeto descobridor de asteroides no Brasil, no observatório SONEAR, em Oliveira, interior de Minas Gerais. Mas como confirmar que os 80% se converteram em 100%? “Vamos aguardar as próximas horas para ver se ele sobreviveu à aproximação com a Terra ou realmente caiu”, disse Jacques. “Se caiu, aquele sistema que detecta explosões na atmosfera deve apontar.”

As notícias seguintes viriam da África, na noite de sábado. Pessoas em Botswana e na África do Sul viram uma “fireball” (bola de fogo) muito brilhante cruzando o céu. Os registros feitos permitiram determinar a posição e a trajetória do bólido celeste.

Ao colocá-lo no mapa numa primeira aproximação, o astrônomo Bill Gray percebeu que ele coincidia com a trajetória prevista do 2018 LA e também batia no tempo com a previsão de entrada na atmosfera, dentro da margem de erro de 5 minutos. Mas novos dados de observação do asteroide ainda no espaço continuavam a ser compartilhados comunitariamente, ajudando a refinar a trajetória prevista. Nas últimas horas, pintaram dois novos pontos no gráfico, fornecidos pelo observatório Atlas, no Havaí, ajudaram a reduzir a imprecisão sobre a área estimada de impacto de 13 mil km (note que era maior que o diâmetro da Terra, então talvez ele pudesse não ter batido) para apenas 1,5 mil km. Se os dados estavam todos certos, o asteroide deve ter entrado em nossa atmosfera, numa região entre Botswana e Namíbia.

Por fim, uma estação responsável por monitorar explosões na atmosfera instalada na África do Sul identificou, por infrasom, uma explosão com energia entre 3 e 5 quilotoneladas de TNT (entre um terço e um quarto do potencial explosivo da bomba de Hiroshima). O nível era compatível com a entrada explosiva de um asteroide com cerca de 2 metros de diâmetro.

Ou seja, tudo leva a crer que a bola de fogo vista na África corresponda ao incauto 2018 LA, que queimou na atmosfera. “Com estas evidências não temos dúvidas de que o asteroide chegou a entrar na atmosfera da Terra. Agora é aguardar por mais relatos para determinar com mais precisão o local da queda”, diz Jacques.

É a terceira vez que astrônomos detectam um asteroide em rota de colisão e acompanham o desfecho da história, até o impacto. As duas anteriores, por sinal, também começaram com uma detecção do Catalina Sky Survey. Em 2008, foi um asteroide de cerca de 4 metros, que entrou na atmosfera em 7 de outubro daquele ano. Explodiu sobre o deserto da Núbia, no Sudão, e resultou na coleta de cerca de 600 meteoritos, com massa total de 10,5 quilos. Uma fração mínima das cerca de 80 toneladas que compunham o objeto original. Já o segundo caso aconteceu em 2014, mas o asteroide 2014 AA caiu no mar, sem chance de recuperação de meteoritos.

Será que desta vez os cientistas encontrarão fragmentos do asteroide para terminar de contar a história? Só o futuro dirá.

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